Debates esvaziados fazem da sucessão um circo ruim e caro
Lula e Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas sem expor ideias novas — muito menos boas. Pelo burburinho nos comitês, estão mais preocupados com a Polícia Federal. Ao fugir dos debates, comprometem o melhor do espetáculo: as propostas e as explicações.
Único presidenciável de esquerda, Lula se esquiva dos debates porque teme virar alvo fixo da direita. Consolidado como anti-Lula mais competitivo, o filho de Bolsonaro foge porque receia que, sem o maior antagonista em cena, ele possa virar saco de pancadas. Ambos se escondem atrás do marketing: quanto menor a exposição, menor o risco.
Não é o cinismo marqueteiro que assusta. A hipocrisia pelo menos é uma estratégia compreensível para candidatos que têm um enorme passado pela frente. O que espanta é perceber que os favoritos na corrida presidencial parecem acreditar de verdade que têm uma missão sublime no planeta.
Estalando de superioridade ideológica e moral, Lula e o filho de Bolsonaro acham que não correm riscos ao transformar as eleições num circo ruim e caro. A campanha eleitoral custa R$ 5 bilhões. Petistas e bolsonaristas aplaudem. Mas o eleitor independente, que também financia a bilheteria, pode achar que merece mais consideração. Fiel da balança, talvez se disponha a premiar o risco.
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