Tesouro Direto hoje: taxas voltam a subir e prefixado encosta nos 13% com cautela eleitoral
Embora a sexta-feira (16) tenha começado com tom ameno nos mercados, o alívio não permaneceu para todo mundo.
Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto operam mais uma vez em alta nas taxas de juros, com o papel prefixado mais longo voltando a flertar com a marca dos 13% ao ano.
Por volta das 11h33, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2032 oferecia rentabilidade de 12,95% ao ano, acima dos 12,85% registrados no fechamento da véspera.
No segmento corrigido pela inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 subia para IPCA + 6,81%.
Fim da escala 6x1: quais ações da bolsa podem ganhar ou perder com a mudança? Investimentos nos EUA: o que está atraindo o dinheiro dos brasileiros? Base Exchange inicia fase de cadastro de bancos e corretoras Veja o movimento das principais taxas no mesmo horário: Tesouro Prefixado 2029: 12,79%, ante os 12,68% do dia anterior; Tesouro Prefixado 2032: oferece 12,95%, (ante os 12,85% de ontem); Tesouro IPCA+ 2032: paga IPCA + 6,81%, ante a remuneração de 6,77% da última sessão; Tesouro IPCA+ 2040: remunera IPCA + 6,75%, ante IPCA + 6,68% antes; Tesouro IPCA+ 2050: IPCA +6,74%, ante IPCA + 6,71% de ontem.
Por que as taxas estão subindo? O movimento na curva de juros reflete uma mudança de humor dos investidores em relação à euforia vista logo após o primeiro turno eleitoral.
Na avaliação de Beto Saadia, economista-chefe da Nomos Investimentos, o mercado passa por um ajuste técnico e de reprecificação de risco.
Para ele, além da alta do petróleo hoje — que pressiona a curva de juros com a perspectiva de mais inflação —, os investidores vêm vendendo títulos ao longo da semana diante do acirramento da disputa eleitoral, movimento que empurra as taxas para cima.
Soma-se a isso o receio fiscal com medidas recentes, como a promulgação do fim da escala 6x1 e a proposta de tarifa zero nos transportes aos fins de semana, citada por Lula na sabatina da Globo e ainda não precificada pelas últimas pesquisas.
Já Gustavo Bertotti reforça que a volatilidade atual da curva de juros decorre essencialmente de fatores domésticos, e não de uma aversão a risco global.
Como termômetro, os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida pública americana que balizam o custo do dinheiro no mundo) registram mais um dia de queda nas taxas nos Estados Unidos — o que, em condições normais, abriria espaço para alívio também por aqui.
Para o analista, o "prêmio" (remuneração) exigido pelos investidores reflete o peso do calendário político e a aprovação de medidas que pressionam o orçamento da União, como o Prospera MEI.
"Desde setembro, temos pelo menos 10 medidas com viés eleitoral e incentivo a consumo", diz Bertotti.
Taxas do Tesouro Direto em 16 de outubro
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