Renato Porto, presidente da Interfarma: “Incorporação precisa se traduzir em acesso a tratamentos”
Entre a chegada de uma nova tecnologia ao Brasil e o momento em que ela alcança os pacientes, ainda há um longo caminho a percorrer.
Nos últimos anos, o país avançou em iniciativas para encurtar essa distância, com mudanças nas regras da pesquisa clínica, esforços para reduzir as filas de análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e novos instrumentos para negociar preços de medicamentos.
Mas transformar esses avanços em tratamentos disponíveis à população continua sendo um desafio.
Em novo episódio de Futuro Talks , Renato Porto, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), analisa o que mudou nesse cenário e quais barreiras ainda precisam ser superadas.
Na entrevista, Porto destaca que o novo marco legal da pesquisa clínica tem despertado maior interesse internacional pelo Brasil, que passou a ocupar a 12ª posição no ranking mundial do setor.
Ainda assim, o avanço esbarra em desafios como a capacidade dos centros de pesquisa, a formação de profissionais especializados e a concentração dos estudos em determinadas regiões.
O presidente da Interfarma também analisa os esforços da Anvisa para reduzir os prazos de análise e defende que o acompanhamento dos medicamentos continue depois da aprovação, com maior uso de dados de mundo real.
O caminho entre a aprovação de um medicamento e sua chegada aos pacientes também revela dificuldades no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Porto, esse intervalo pode chegar a 44 meses.
Para tentar encurtar essa espera, o país aposta em instrumentos como o Comitê de Negociação, os acordos de compartilhamento de risco e a negociação de preços confidenciais.
Na avaliação do presidente da Interfarma, essas iniciativas podem ajudar a ampliar o acesso a novos tratamentos , mas seus resultados dependem também de melhorias nos processos de incorporação, no financiamento e na organização das linhas de cuidado.
A entrevista aborda ainda as diferenças entre os processos de incorporação de tecnologias no SUS e na saúde suplementar, os impactos das novas regras para a judicialização de medicamentos e o debate sobre mecanismos de compensação por atrasos na análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Para Porto, um dos principais desafios é melhorar a articulação entre os diferentes atores do sistema de saúde, para que a aprovação e a incorporação de novas tecnologias resultem em tratamentos disponíveis aos pacientes.
Confira o episódio completo: Em 2024, discutíamos o marco legal e seu potencial para ampliar a participação do Brasil nos estudos clínicos internacionais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.