Gestor de fundo americano vê queda da Bolsa como exagerada e aproveita para comprar ações
São Paulo Em meio ao derretimento de quase 14% da Bolsa nesta segunda-feira (26) pós- eleições , há quem enxergue uma oportunidade. O americano Rob Citrone, gestor do fundo multimercado Discovery, que investe em países emergentes há décadas, aproveitou a desvalorização para ampliar seu investimento em empresas brasileiras.
"Vemos uma recuperação no mercado depois do excesso de vendas. Então, aproveitamos isso e aumentamos um pouco a exposição. Mas não estamos ampliando nossa exposição estratégica até vermos o que o governo fará", disse o investidor em entrevista à Folha na tarde desta segunda.
Citrone é conhecido como um "Tiger cub" (cria do Tiger), pois trabalhou com o famoso investidor Julian Robertson no fundo multimercado Tiger Management. Sua estratégia de mercados emergentes deu altos retornos com Equador e Argentina nos últimos anos, mas a aposta de que o Brasil poderia repetir o ciclo de valorização visto sob Javier Milei no vizinho se mostra improvável no momento.
Segundo Citrone, a reação do mercado brasileiro à reeleição de Lula foi exagerada, o que o levou também a não vender ativos e esperar por uma recuperação da Bolsa —uma das grandes apostas do gestor é o Nubank , por seu modelo de negócio e atual expansão para outros países, como o México e os Estados Unidos .
"Meus alvos para a recuperação no curto prazo são o dólar a R$ 5,25 e o Ibovespa a 185 mil pontos. São os níveis próximos do valor justo, em que deveriam estar diante do resultado [eleitoral] e da incerteza [quanto à economia]."
O Ibovespa fechou a segunda-feira a 176.608 pontos (queda de 13,88%) e o dólar a R$ 5,409 (alta de 8,41%).
Citrone vê a vitória de Lula ( PT ) no segundo turno como uma surpresa, pois pesquisas apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro ( PL ) até o fechamento do mercado na sexta-feira (23), antes do debate da Globo.
"Eu tinha algumas ações e uma posição na moeda [real], mas estava com apenas cerca de 40% da exposição que pretendia. Estava esperando, porque não tinha certeza, mas eu realmente achava que Bolsonaro venceria. Por isso tínhamos alguma exposição", diz Citrone.
Porém, ele não descarta aumentar o investimento no Brasil. "Se o governo Lula fizer as coisas certas, poderemos aumentar nossa exposição. Se não fizer, achamos que a recuperação do mercado vai continuar e, depois, reduziremos provavelmente a exposição ao longo do tempo. Mas isso realmente depende do que o governo fizer."
"Já estive no Brasil muitas vezes, acho que 68 vezes ao longo dos anos. É um país maravilhoso, um povo maravilhoso, um lugar incrível. Sou um grande fã, mas, no fim das contas, vocês precisam de uma boa política econômica", completa.
Na visão do investidor, a indicação de nomes que agradam ao mercado para o Ministério da Fazenda poderia reduzir o tamanho do ajuste fiscal necessário para derrubar a curva de juros, o que já aliviaria, por si só, o custo da dívida brasileira.
"Se o governo nomear um ministro da Fazenda e um ministro da Casa Civil de alto nível, poderá se beneficiar significativamente de um ganho de credibilidade que ajudaria a realizar uma parte importante do ajuste necessário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.