Entidades pedem cerco a big techs para proteger saúde de crianças após suicídio no Discord
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Três entidades lançam nesta terça-feira (25), em Brasília , um documento para pressionar a próxima gestão federal a fechar o cerco contra as big techs . Elas afirmam que as empresas fazem vista grossa ao ECA Digital, e que crianças e adolescentes seguem enfrentando riscos à saúde física e mental ao navegar pelo ambiente digital.
A pressão ocorre após a morte de uma adolescente de 13 anos transmitida em uma live pelo Discord . O caso levou a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) a proibir a ferramenta de transmissões ao vivo da plataforma, medida em vigor desde a semana passada.
O texto é assinado pelo IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) e pela Juntô, a Iniciativa Brasileira de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes. Sua construção contou com a participação de expoentes de dezenas de entidades, entre as quais estão a Umane e o Unicef .
Segundo o guia, o sofrimento psíquico e o uso compulsivo não devem ser tratados como meras falhas de autocontrole individual dos jovens, mas sim como consequências diretas do design e do modelo de negócio das redes sociais .
Dayana Rosa, doutora em saúde coletiva e gerente de Saúde Mental do IEPS, afirma que a exposição a notícias falsas é um dos pontos mais sensíveis atualmente. A adolescente morta no mês passado, por exemplo, foi induzida a praticar autolesão por meio de grupos no Discord.
"O ECA Digital, como está formulado hoje, já proíbe esse tipo de conteúdo, mas, sem pressão às plataformas, eles continuam circulando. E agora, após a tragédia, o Estado vai responder com a derrubada das lives, mas não é só isso. A gente precisa trabalhar com a prevenção, fazer com que isso acabe", afirma.
Entre os pontos de destaque do diagnóstico apresentado em Brasília, o documento pede o fim da rolagem infinita por paginação com pausas naturais. O ECA já defende isso , mas a medida ainda não está capilarizada.
O documento pede ainda alertas progressivos de tempo que não possam ser contornados e o silenciamento obrigatório de notificações no período noturno. O texto destaca que essas mudanças podem ser facilmente incorporadas, porém, exigem empenho das plataformas –o que, por norma, não combina com o modelo de negócios.
Um estudo citado no documento analisou mais de 5 mil postagens sobre saúde mental nas redes e constatou que mais da metade (56%) do conteúdo é impreciso ou completamente falso. A maior parte desse conteúdo está no TikTok , afirma o texto. Há vídeos que divulgam diagnóstico incorreto de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Outra pesquisa, feita em outubro de 2025 pela organização SaferNet, mapeou a ocorrência de deepnudes (nudez falsa gerada por inteligência artificial) em escolas de dez estados brasileiros. Ao todo, o estudo identificou 57 agressores e 72 vítimas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.