Adeus ao CDI fácil: UBS rebaixa renda fixa pós-fixada e vê espaço para a bolsa brasileira saltar até 25%
A “moleza do CDI ”, com o dinheiro rendendo a uma Selic elevada sem grandes solavancos, pode estar perdendo parte do seu encanto.
Na avaliação do UBS , a renda fixa pós-fixada , cuja rentabilidade é indexada à Selic ou ao CDI, deve continuar entregando retornos, mas já não é a opção mais atraente para quem busca equilibrar risco e potencial de ganho no Brasil.
Após o primeiro turno das eleições , o banco suíço passou a preferir a bolsa e vê espaço para as ações brasileiras subirem cerca de 25% .
A mudança de estratégia tem como pano de fundo uma possível melhora das perspectivas fiscais após o desfecho do primeiro turno das eleições de 2026.
Para os analistas, a nova configuração política no Congresso e nos governos estaduais aumenta as chances de avanço de uma agenda econômica mais previsível — embora ainda não seja garantia de ajuste nas contas públicas.
“A probabilidade de um regime fiscal mais crível aumentou, criando a possibilidade de um círculo virtuoso composto por menor prêmio de risco soberano, juros mais baixos, maior confiança e crescimento econômico mais sustentável”, diz o UBS, em relatório.
Nesse cenário, o UBS elevou sua recomendação para as ações brasileiras de neutra para atrativa e rebaixou a renda fixa pós-fixada para não atrativa .
O que pode sustentar uma nova alta da bolsa brasileira? O rali eleitoral já ajudou a reduzir o desconto com que as ações brasileiras eram negociadas em relação ao histórico.
Mas, para o UBS, a recuperação ainda pode ir além se o país avançar rumo a um cenário fiscal mais previsível .
"Apesar dessa reprecificação inicial, acreditamos que o mercado pode avançar ainda mais nos próximos trimestres caso o cenário político se traduza em um arcabouço fiscal crível e em uma agenda econômica voltada para reformas”, dizem os analistas.
Nesse caso, os investidores poderiam aceitar pagar mais caro pelas empresas listadas.
No cenário-base do banco, o múltiplo preço/lucro projetado para os próximos dois anos pode alcançar um nível equivalente a um desvio-padrão acima da média histórica — uma das premissas por trás da estimativa de alta de aproximadamente 25%.
O segundo motor seria o crescimento dos lucros corporativos .
Um ajuste fiscal consistente poderia aliviar as pressões inflacionárias e abrir caminho para juros menores, melhorando as condições de financiamento e favorecendo a atividade econômica.
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