Painel histórico é mutilado e expõe abandono da memória de Corumbá
Uma reforma em um prédio comercial da Rua Delamare trouxe à luz mais do que paredes vazias.
Revelou também o abandono de uma obra que há seis décadas conta, em cerâmica, parte da história econômica e cultural de Corumbá.
Criado em 1965 para a agência local do extinto Banco Financial, o painel ocupa uma das paredes do imóvel e reúne desenhos em relevo sobre as riquezas naturais e as atividades que ajudaram a construir a cidade.
Pecuária, mineração, ferrovia, navegação, indústria, comércio, Pantanal e Rio Paraguai aparecem representados na obra.
Durante anos, porém, o painel permaneceu escondido atrás de móveis e eletrodomésticos expostos pela loja que passou a funcionar no endereço.
Sem conservação adequada, parte das peças de cerâmica se soltou.
A área danificada, que retratava peões, uma boiada e a paisagem pantaneira, acabou coberta com massa corrida, descaracterizando o conjunto artístico.
A retirada dos produtos para a reforma do imóvel voltou a expor a obra — e também a dimensão do dano.
“Um absurdo!”, reagiu o empresário Alfredo Zanlutti Junior, ex-acionista do Banco Financial e atual presidente da Faems (Federação das Associações Empresariais de Mato Grosso do Sul).
Ele cobrou providências do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e da Prefeitura de Corumbá.
“Isso só acontece em Corumbá, é uma vergonha”, afirmou.
Obra montada peça por peça Segundo Zanlutti, o painel foi encomendado pelo banco e instalado por uma empresa de São Paulo.
Cada peça foi colocada separadamente para formar a composição que retrata elementos marcantes da identidade corumbaense.
“Foi montada peça por peça, tornando-se uma obra maravilhosa, de grande expressividade do que temos de mais rico na região”, recordou.
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