A virada de chave do açúcar em agosto: Índia pode voltar às compras e mercado já olha para déficit em 2026/27
O mercado de açúcar parece ter virado a chave em agosto. Depois de meses pressionados, os contratos futuros da commodity engataram uma forte recuperação nas últimas semanas, com o açúcar bruto negociado em Nova York saindo da região dos 15 centavos de dólar por libra-peso para perto de 17,50 cents/lb.
Para Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX , a velocidade do movimento chama atenção, mas o principal ponto está por trás da disparada: o mercado começou a deixar para trás um cenário marcado por superávits e passou a antecipar um possível déficit global de açúcar na safra 2026/27 .
A mudança de percepção ficou evidente no posicionamento dos fundos. Em apenas uma semana, os investidores especulativos saíram de uma posição líquida vendida de aproximadamente 90 mil lotes para uma posição comprada de 25 mil lotes, em uma das maiores reversões já registradas.
O fluxo de compras ajudou a levar os preços, que estavam pouco acima de 15 cents/lb, inicialmente para a casa dos 16,60 cents/lb e, posteriormente, para mais de 17 cents/lb. Contratos com vencimentos mais longos já passaram dos 18 cents/lb.
Apesar da forte valorização, o cenário atual de oferta e demanda não explica sozinho o movimento. Pelo contrário: no curto prazo, Di Bonifácio ainda enxerga certa sobreoferta de açúcar no mercado internacional e uma demanda por importação relativamente fraca.
No Brasil, por exemplo, há descontos elevados para a nomeação de cargas de açúcar bruto no Porto de Santos, enquanto o line-up de exportação permanece fraco.
Outro sinal está no próprio Centro-Sul. Mesmo com as usinas reduzindo o mix destinado ao açúcar, a produção brasileira pode cair cerca de 1 milhão de toneladas em relação à temporada anterior sem provocar, até aqui, um desequilíbrio significativo no mercado internacional.
A situação de outros grandes participantes também ajuda a explicar esse conforto no curto prazo. A Tailândia ainda carrega estoques da safra passada, enquanto a China já realizou um volume elevado de importações e está relativamente adiantada em suas compras.
Ou seja, a escalada das últimas semanas não reflete uma falta de açúcar neste momento. O mercado está olhando para o que pode acontecer nos próximos ciclos.
A mudança de humor ganhou ainda mais força nesta terça-feira (18), com os rumores de que a Índia pode voltar ao mercado internacional para comprar açúcar — algo que não ocorre desde a safra 2017/18.
Segundo Di Bonifácio, informações que circulam no mercado indicam que um agente do governo indiano teria confirmado que o país considera importar cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar ainda neste trimestre .
Para o analista, trata-se de uma das notícias mais importantes para o mercado de açúcar neste ano, especialmente pelo que sinaliza sobre a situação do segundo maior produtor mundial.
Os rumores de importação aparecem em meio à piora das condições climáticas na Índia e à preocupação com o nível dos estoques de passagem entre outubro e novembro.
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