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Nenhuma mercadoria nova chegaria mais às prateleiras: 145 lojas entram em liquidação e cerca de 20 mil funcionários descobrem que uma trajetória de quase meio século estava terminando

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Nenhuma mercadoria nova chegaria mais às prateleiras: 145 lojas entram em liquidação e cerca de 20 mil funcionários descobrem que uma trajetória de quase meio século estava terminando

Depois de anos tentando se reorganizar, a falta de acordo com credores transformou uma longa recuperação em fechamento de toda a operação.

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR As prateleiras ainda estavam cheias quando a lógica das lojas mudou: o que saísse não seria mais reposto. Em janeiro de 1999, a Caldor encerrou uma tentativa de recuperação que durava desde 1995 e decidiu liquidar 145 unidades, colocando cerca de 20 mil trabalhadores diante do fim da operação.

A empresa estava em Chapter 11 havia mais de três anos. Durante esse período, continuou vendendo, negociou com credores e tentou construir uma estrutura financeira que permitisse sair da proteção judicial sem desmontar a rede.

A virada veio quando credores não aceitaram o plano de reorganização apresentado. Sem apoio suficiente para continuar, a direção decidiu que vender os estoques e encerrar as lojas seria o caminho para administrar os ativos restantes.

A principal diferença aparece no estoque. Uma operação normal compra mercadorias para substituir o que é vendido; na liquidação, o objetivo passa a ser reduzir produtos, equipamentos e outros ativos até que o ponto possa fechar.

Para uma cadeia do tamanho da Caldor, isso também altera equipes, logística e contratos. Cada semana de venda final diminui a necessidade de reposição, transporte e determinadas funções internas.

A decisão atingiu 145 lojas e cerca de 20 mil funcionários . As unidades estavam distribuídas por nove estados da costa leste dos Estados Unidos.

O formato era o de loja de departamentos de desconto, reunindo roupas, eletrônicos, utilidades e outras categorias. Essa combinação havia ajudado a marca a crescer, mas também exigia grandes estoques e espaços físicos.

A liquidação não foi anunciada como uma seleção de pontos mais fracos. Quando o plano de reorganização perdeu apoio, a antiga companhia deixou de ter uma rota para emergir do Chapter 11 mantendo parte da cadeia sob seu controle.

Os funcionários eram necessários enquanto as lojas ainda recebiam clientes, mas a continuidade tinha prazo limitado. Atendimento, caixa, estoque e gestão permaneciam ativos apenas enquanto houvesse mercadoria e operação para concluir.

Por isso, o impacto sobre o emprego ocorreu em etapas. A decisão de fechar as 145 unidades, porém, retirava da antiga empresa a possibilidade de absorver essas equipes em uma rede remanescente.

A Caldor começou em 1951 e cresceu durante décadas como varejista de desconto. Antes da crise final, chegou a ocupar uma posição relevante em centros comerciais de sua região e a disputar consumidores com outras grandes cadeias.

A recuperação iniciada em 1995 adiou o desfecho, mas não conseguiu revertê-lo. Em 1999, as 145 lojas restantes entraram em liquidação e a companhia encerrou uma trajetória de quase meio século.

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