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Para papa Leão, não restava muita alternativa a não ser ir para América do Sul

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Para papa Leão, não restava muita alternativa a não ser ir para América do Sul

CIDADE DO VATICANO, 27 Out (Reuters) - Desde que passou por uma cirurgia em 13 de outubro contra um câncer de pulmão, o papa Leão vem ​ponderando uma decisão importante: se deve seguir adiante com ​uma intensa viagem pela América do Sul, passando por três países, apenas 24 dias após ter parte de um pulmão removida.

Mas, no fim das contas, segundo um biógrafo e outros especialistas, Leão não ​teve outra escolha a não ⁠ser prosseguir com ​a visita para Uruguai, Argentina e Peru, conforme anunciado pelo Vaticano ⁠na segunda-feira, para mostrar que continua à altura ​da tarefa de liderar os 1,4 bilhão de católicos do mundo.

Leão, de 71 anos, nasceu nos EUA, mas passou décadas como missionário e bispo no Peru ‌antes de se tornar papa. Ele também ‌é muito ligado ​a esse país, onde se tornou cidadão e que considera sua terra adotiva.

“Cancelar teria significado… enviar uma certa mensagem de que essa (cirurgia) foi uma verdadeira ruptura neste pontificado”, disse Massimo ‌Faggioli, historiador papal, à Reuters.

“A mensagem agora é: ‘Não, essa crise de saúde acabou. E eu consigo fazer isso’”, declarou Faggioli, professor da Universidade de Villanova, perto da Filadélfia, onde Leão obteve um de seus diplomas.

Elise Allen, autora de uma biografia do papa para a Penguin Peru, disse que sua decisão “demonstra uma determinação incrível de continuar com a missão que ele acredita ter sido confiada a ele por Deus”.

Viajar para o exterior ‌tornou-se uma parte importante do papado moderno, com os papas buscando encontrar-se com católicos locais, difundir a fé e conduzir a diplomacia internacional.

Elas costumam atrair grandes ​multidões, e autoridades na Argentina estimam que cerca de sete milhões de pessoas participarão de eventos com Leão durante seus três dias ‌no país.

Fazer viagens ao exterior tornou-se parte integrante do papel de papa, disse Faggioli. “Isso se tornou o verdadeiro teste do papado: se você consegue ou não fazer viagens exaustivas”, ‌afirmou ele. “O papado é… uma função ‌global e é preciso estar presente pessoalmente.”

A viagem de Leão à América do Sul, de 6 a 17 de novembro, deve ⁠ser uma das mais intensas realizadas por um papa nas últimas décadas. Está previsto que ele percorra cerca de 31.000 km ao longo da viagem por 10 cidades e faça 36 discursos.

O Vaticano informou na segunda-feira que o papa está apto para a viagem, citando o médico ​pessoal de Leão, Luigi ​Carbone.

O médico Stephen Liu, especialista em câncer de pulmão da Universidade de Georgetown, em Washington, e chefe da divisão de hematologia-oncologia do MedStar Georgetown University Hospital, disse que os riscos de complicações para o papa relacionadas à cirurgia parecem agora “bastante baixos”.

Ele explicou que o fato de Leão ter recebido autorização dos médicos para voar deve indicar que o pulmão operado se expandiu totalmente e que quaisquer feridas cirúrgicas estão cicatrizando sem sinais ⁠de infecção.

“Meu principal conselho para pacientes nessa situação é não se esforçarem demais e ouvirem o próprio ​corpo quando ele pedir descanso”, disse Liu à Reuters.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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