Títulos de longo prazo são armadilha ou o melhor investimento da próxima década?
Os juros oferecidos pelos títulos públicos de longo prazo no Brasil até caíram um pouco recentemente, mas seguem em níveis historicamente altos, com destaque para os 7,5% além da inflação oferecidos pelos papéis atrelados ao IPCA.
Essas taxas vêm sendo pressionadas pela trajetória das contas públicas, mas também pelo exterior, com o nível também elevado do rendimento dos Treasuries .
Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos voltaram a avançar após a dívida pública americana cruzar os US$ 40 trilhões, e nem um sinal de intervenção no mercado ou um discurso mais duro do presidente do Federal Reserve foram capazes de mexer o ponteiro.
Diante desse ambiente, as taxas ofertadas na renda fixa de prazo mais longo estão mesmo atrativas ou podem ser uma armadilha? Leia também Onda de recuperações judiciais faz fundos mirarem ganho de até 30% ao ano Gestores de situações especiais veem nova onda de inadimplência como oportunidade para bons negócios e preparam captações Tesouro IPCA+ longo não é consenso Os títulos de inflação estão atrativos e são aposta de diversos especialistas, mas não exatamente consenso.
Argumentos a favor Para o estrategista de renda fixa Lucas Queiroz um exercício útil é imaginar um investidor que não precise mexer no dinheiro por uma década.
“Se você dormir hoje e acordar em 10 anos, o melhor investimento terá sido o prefixado longo”, diz.
Ele argumenta que o consenso de mercado projeta uma Selic de equilíbrio em torno de 10%, enquanto o prefixado longo paga hoje perto do nível atual da taxa, de 14%.
“Entre o universo de renda fixa, certamente vai ser o melhor investimento”.
O problema, reconhece, é o caminho até o rendimento, que deve ter alta volatilidade.
Para quem quer o mesmo prêmio com menos sustos, ele destaca o Tesouro IPCA+ de prazo longo .
“Você vai ganhar 7%, 8% acima da inflação, sendo que se você ficar no CDI durante esses 5, 10 anos, esse CDI vai te remunerar, na média, entre 5% e 6% acima da inflação.” Argumentos contra Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, olha para o mesmo juro real e chega a outra conclusão.
A premissa dele é uma taxa neutra mais alta do que a de outros períodos – entre 6% e 6,5% –, à qual soma o grau de restrição que o Banco Central precisará manter para levar a inflação à meta de 3%.
“Um grau de restrição em torno de 1% a 2% parece algo bem factível”, diz.
Nessa conta, um juro real de 7,5% a 8% deixa de ser prêmio e vira quase o custo esperado da política monetária, ou seja, não renderia ganho de verdade .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.