Freio legal contém gasto com saúde em 2027, mas efeito sobre emendas será pequeno
Dois mecanismos incluídos no PLP dos Combustíveis (PLP 114/26) devem conter o crescimento dos gastos obrigatórios do governo federal e podem evitar um aumento de despesas de até R$ 10 bilhões já em 2027, segundo estimativa do próprio governo.
Especialistas ouvidos pelo JOTA divergem sobre o tamanho do impacto, mas apontam a saúde como uma das áreas mais afetadas , apesar das mudanças feitas pelo Congresso para tentar proteger essa rubrica.
Pela redação aprovada, havendo previsão de déficit, a receita financeira da comercialização de petróleo e gás natural deixará de contar na chamada Receita Corrente Líquida (RCL) da União.
Por essa via, uma série de rubricas é afetada: tudo o que varia de acordo com a RCL, mesmo por mandamento constitucional, terá expectativa de crescimento menor.
É o caso do piso da saúde, que já deve sentir a limitação no crescimento dos gastos em 2027.
O freio nos gastos nessa rubrica deve ser de R$ 4,7 bilhões , segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI).
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Já as estimativas da Warren Rena projetam um efeito maior.
Segundo o economista-chefe da consultoria, Felipe Salto, se aproximadamente R$ 60 bilhões em receitas de petróleo forem retirados do cálculo da RCL, isso resultará em uma economia de R$ 8,1 bilhões apenas na saúde .
“Mudar o conceito de Receita Corrente Líquida é uma discussão que não é propriamente nova.
O [atual secretário-executivo da Fazenda, Rogério] Ceron já tinha tentado fazer isso quando era secretário do Tesouro.
No fundo, é uma forma de você mexer no piso da saúde sem mexer.
Alterar o piso da saúde exigiria mudar a Constituição, então precisa de PEC.
Quando você mexe no conceito da RCL, da receita corrente líquida, você afeta indiretamente o piso da saúde”, explica Salto.
Durante a votação da medida na Câmara, parlamentares de esquerda, principalmente do PSOL e do PCdoB, se posicionaram contra os dispositivos do projeto que limitavam os recursos destinados à saúde.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.