Lula ganha nova chance de caminhar rumo ao campo hegemônico da sociedade
A reta final do segundo turno marcou um ajuste de rota na campanha do presidente Lula (PT).
O movimento vitorioso , porém, não apaga os erros cometidos no campo da política no atual mandato e que precisam ser sanados se o petista quiser mesmo cumprir os primeiros compromissos assumidos logo após a contagem dos votos deste domingo (25/10), quando assegurou “mudar o jeito de governar”.
Após a vitória de 2022, o presidente e o PT passaram a ignorar todos os avisos e sinais dados pelas urnas naquele ano de que deveriam fazer uma política de ampliação e de diálogo rumo ao lado hegemônico da sociedade, o campo conservador.
Em sentido inverso, Lula se ensimesmou e encheu o Palácio do Planalto de ministros e assessores de esquerda.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Assim, o favoritismo da largada da campanha foi minguando até se transformar no pesadelo da derrota em primeiro turno.
No segundo turno, com o engajamento espontâneo de setores médios da sociedade, o PT foi empurrado, novamente, em direção ao centro democrático do espectro político-ideológico.
Artistas, influenciadores e gente que nunca foi petista ganharam destaque em publicações e ajudaram a encher as ruas.
As manifestações foram praticamente espontâneas e diversas, o que indica um caminho de futuro para a centro-esquerda.
No ambiente digital, o deputado federal André Janones (Rede-MG), com uma linguagem simples, irreverente e nada discriminatória, assumiu o comando da estratégia das redes sociais e obteve resultados impressionantes, fazendo Lula encostar em Flávio e caminhar rumo à virada.
Os erros cometidos, porém, não podem ser esquecidos, caso a esquerda queira se fortalecer para 2030.
Os erros na política do primeiro mandato Entre os erros capitais do atual mandato de Lula está o desprezo pela “frente ampla” que foi fundamental para sua vitória em 2022 contra Jair Bolsonaro (PL), o pai de Flávio Bolsonaro (PL).
Os dois principais símbolos da união da centro-direita formada em torno do petista quatro anos atrás, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ex-senadora Simone Tebet, ambos no PSB, ocuparam ministérios de pouca expressão na Esplanada, o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e o do Planejamento, respectivamente.
Alckmin e Tebet foram escanteados das decisões políticas e, portanto, estiveram longe do coração do governo.
Em sentido inverso, Lula povoou o Palácio do Planalto com expoentes petistas e da esquerda, como o ex-governador Rui Costa (Casa Civil), a deputada federal Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), ambos do PT, e o deputado federal Guilherme Boulos, do PSOL (Secretaria-Geral).
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