‘Narcoafetivo’: vice de Tarcísio é condenado a indenizar o PT por associá-lo ao tráfico
A Justiça do estado de São Paulo condenou o vice-governador, Felício Ramuth (PSD), a pagar uma indenização de 10 mil reais ao Partido dos Trabalhadores por danos morais após ter associado a legenda ao narcotráfico, sem que pudesse apresentar qualquer prova sobre a ligação.
O vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) também terá de pagar as custas e despesas processuais, além de honorários advocatícios do PT, integralmente.
A decisão foi assinada pela juíza Vanessa Bannitz Baccala da Rocha, da 4ª Vara Cível de Pinheiros, que considerou uma redução na multa, já que o PT havia solicitado 50 mil reais pelos danos morais.
“Considerando a gravidade objetiva da ofensa, a posição pública ocupada pelo requerido, a relevante repercussão das declarações, o potencial lesivo da associação realizada e os parâmetros adotados pela jurisprudência em casos análogos, mostra-se adequada a fixação da indenização em valor moderado, suficiente para atender aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
Diante desse contexto, mostra-se adequada e proporcional a fixação da indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), quantia suficiente para cumprir as funções compensatórias, sem perder de vista os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade”, escreveu a magistrada.
A condenação de Ramuth se deu após um episódio em que ele fez críticas ao PT, dentre elas, dizendo que a sigla gosta do crime organizado.
“Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo (…) Reafirmo que o PT é um partido narcoafetivo.
Um partido que vota em peso contra o PL antifacção.
Um partido que promove e defende saidinha de presos.
Um partido que tem sua principal liderança afirmando que traficante é vítima de usuário”, comentou o vice-governador paulista durante uma agenda oficial na zona sul da capital em janeiro deste ano.
Continua após a publicidade O comentário foi feito logo após ele ter sido questionado sobre a crise migratória da Venezuela.
O PT entrou com uma ação judicial contra ele no mesmo período do ano.
Procurado por VEJA ainda naquela época, o vice-governador reafirmou as críticas e disse que o termo narcoafetivo foi usado em sentido “político e retórico”, para “criticar uma postura pública de tolerância e relativização diante do crime organizado”.
Continua após a publicidade Para a juíza, Ramuth cometeu abuso do direito de livre expressão ao associar de forma caluniosa a legenda ao termo narcoafetivo.
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