Dívida da Santa Casa é culpa do governo federal
As possíveis irregularidades apuradas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul devem ser investigadas e, se comprovadas, seus responsáveis devem ser punidos.
Mas a crise financeira da Santa Casa de Campo Grande não pode ser explicada apenas por esses fatos.
Ela está ligada a um problema antigo e nacional: o subfinanciamento dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O endividamento atribuído à Santa Casa é de cerca de R$ 800 milhões.
O problema, porém, não é exclusivo da instituição: hospitais filantrópicos de todo o país acumulam mais de R$ 20 bilhões em dívidas bancárias e tributárias.
A questão central é compreender por que instituições essenciais ao atendimento público chegaram a esse nível de endividamento.
O desequilíbrio remonta à criação do SUS, em 1988.
Já no fim de 1989, a Santa Casa de Campo Grande, que até então nunca havia recorrido a empréstimos bancários, precisou contratar crédito para fechar o orçamento.
A medida tornou-se recorrente diante dos atrasos do poder público e da insuficiência dos valores pagos pelos serviços prestados.
O problema se agravou com o Plano Real, em 1994.
Enquanto se estabeleceu, para a economia em geral, a equivalência de um real para um dólar, o setor da saúde teve adotado uma relação inferior, de R$ 0,80 por dólar, porque o orçamento do Ministério da Saúde, dizia o Governo, não comportaria a paridade integral.
Em 2004, apesar dos esforços de gestão, a ABCG Santa Casa encerrou o ano com déficit de aproximadamente R$ 34 milhões.
Naquele momento, o prefeito e o secretário municipal de Saúde atribuíram o resultado à uma suposta má gestão da instituição.
Foi então decretada uma intervenção, inicialmente prevista para durar um ano e devolver a administração com as contas saneadas.
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