Câncer de mama: como deve ser o acompanhamento depois do tratamento
Todos os anos, durante o Outubro Rosa , ampliamos a conversa sobre o câncer de mama .
Falamos sobre prevenção, diagnóstico precoce, acesso aos exames e avanços no tratamento.
Mas existe uma etapa igualmente importante dessa jornada que merece mais espaço nessa discussão: como cuidar das pacientes depois que o tratamento primário termina ? A conclusão do tratamento representa um marco importante, mas não significa o fim do cuidado.
O acompanhamento continua sendo fundamental para avaliar a saúde da paciente, identificar possíveis sinais de recorrência e orientar os próximos passos, e é justamente nessa fase que precisamos avançar em direção à individualização e à personalização.
Continua após a publicidade Nem todas as pacientes têm as mesmas características clínicas, os mesmos riscos ou as mesmas necessidades.
Por isso, também não faz sentido pressupor que todas devam seguir exatamente o mesmo modelo de acompanhamento.
Essa é uma das reflexões que trago a partir da minha participação no painel internacional de especialistas responsável pela atualização da diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês) sobre acompanhamento e vigilância do câncer de mama após o tratamento primário.
Continua após a publicidade Publicamos em julho de 2026, no Journal of Clinical Oncology , o principal guideline do mundo sobre o tema , um documento que reúne recomendações para orientar profissionais de saúde em diferentes países.
A atualização tem impacto global na prática clínica e reforça que o cuidado precisa ser cada vez mais personalizado , considerando o risco de recorrência e as necessidades de cada paciente.
Continua após a publicidade Menos exames para quem tem menor risco de o câncer voltar Entre as principais atualizações está a revisão dos três níveis de vigilância, com uma abordagem mais individualizada de acordo com o risco de recorrência de cada paciente.
Na prática, pacientes de menor risco podem ter um acompanhamento menos intensivo, com menos consultas e exames, reduzindo o impacto na rotina e os custos do cuidado, enquanto aquelas com maior risco passam a demandar uma vigilância mais próxima e direcionada.
Não se trata de oferecer menos cuidado, mas de reconhecer que cuidar bem também significa compreender quando intensificar a assistência e quando evitar intervenções que não demonstraram benefício.
Continua após a publicidade Outra atualização é a recomendação de não utilizar rotineiramente determinados exames de sangue , uma prática recorrente, mas que não possui benefício comprovado e pode gerar ansiedade, aumentar custos e interferir na rotina das pacientes.
Como oncologista e pesquisador, acredito que aproximar a pesquisa científica da prática clínica é essencial para avançarmos na direção da personalização.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.