Cúpula do Brics reafirma falta de coesão do bloco
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A Índia sediará neste fim de semana a 18ª reunião de cúpula do Brics reafirmando a vocação do bloco como fórum para interesses díspares de seus membros. Agendas individuais se sobrepõem ao discurso oficial de união ante a hegemonia ocidental.
Isso já havia ficado claro na esvaziada cúpula do ano passado, realizada no Brasil, que era o presidente rotativo do bloco. Nem Xi Jinping , líder chinês que havia forçado uma expansão dos Brics à sua imagem em 2023, apareceu.
Agora, o comparecimento é mais robusto. Dos quatro países fundadores do bloco em 2009, Brasil, Rússia , Índia e China , o único líder ausente será Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preocupado com sua campanha à reeleição. O chanceler Mauro Vieira o representará.
Estarão presentes também o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, cujo país adicionou o S de sua inicial em inglês ao acrônimo Brics em 2010, e alguns convidados da turma de 2023.
O mais relevante em termos políticos é o iraniano Masoud Pezeshkian , que estará em Nova Déli para vender uma imagem de apoio internacional no momento em que seu país enfrenta militarmente os Estados Unidos , o Grande Outro na psicanálise própria dos Brics.
Com efeito, Xi e o russo Vladimir Putin apoiam o Irã , mas não a Índia. Pior, um dos novos membros, os Emirados Árabes Unidos , romperam relações comerciais com a teocracia após terem se tornado o principal alvo de retaliação iraniana contra aliados dos EUA no golfo Pérsico.
O país árabe terá o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, à mesa com Pezeshkian. As diferenças entre Irã e Emirados já bloquearam um comunicado do Brics neste ano, e o Kremlin disse temer que isso impeça o mesmo agora na Índia.
No fim, a importância do encontro se concentrará na presença de Xi em solo indiano pela primeira vez em sete anos. É mais um movimento no balé entre as potências nucleares asiáticas, que viu escaramuças fronteiriças quase chegarem a um conflito de fato nos últimos anos.
O anfitrião, Narendra Modi , já havia visitado a China e se encontrado com Xi na cúpula do Brics em Kazan , na Rússia, em 2024.
Mas, ao mesmo tempo, ele articula uma rede de alianças militares com países desconfiados das intenções de Pequim no Indo-Pacífico, visando deixar a ameaça de um bloqueio a rotas marítimas no ar.
A expectativa é de que haja um encontro bilateral entre Modi e Xi, que não se encontraram à parte quando estiveram há uma semana na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão. Nela, o indiano encontrou-se com o russo, que por sua vez se reuniu com o chinês.
Putin, por sua vez, chegou nesta sexta (11) a Nova Déli e já se encontrou com Modi. Sua prioridade é manter aberto o canal para exportação de petróleo russo para os indianos, que se tornaram ao lado da Índia a boia de salvação do setor energético de Moscou, sob sanções devido à Guerra da Ucrânia .
No fórum empresarial da cúpula, que formalmente ocorre no sábado (12) e no domingo (13), Putin também aproveitou para fazer seu proselitismo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.