'Vou quebrar sua cara': advogada vira ré por golpe e ameaça a cliente no DF
A Justiça do Distrito Federal tornou ré uma advogada acusada de receber pagamentos, simular a atuação em processos e ameaçar uma cliente quando ela descobriu as supostas fraudes.
Gessyka Domenique Messias Araújo de Pietro responderá por quatro crimes de estelionato e um de ameaça. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios foi aceita na sexta-feira (14) pelo juiz Joel Rodrigues Chaves Neto, da 1ª Vara Criminal de Samambaia.
A cliente avisou que procuraria a Ordem dos Advogados do Brasil e as autoridades após descobrir as supostas irregularidades. A advogada teria então afirmado: "Vou quebrar sua cara, vou quebrar seu carro".
Em outros áudios, a denunciada fez referências a agressões e disse que provocaria o arquivamento de um processo da cliente. A vítima procurou a polícia por temer que as ameaças fossem cumpridas.
Os supostos golpes ocorreram entre outubro de 2022 e abril de 2025. A acusação diz que Gessyka usava a condição de advogada e informações falsas sobre processos para receber honorários e valores apresentados como custas.
A cliente pagou R$ 800 à advogada para regularizar e transferir três veículos pertencentes ao pai. Ela não ajuizou a ação, mas afirmou que já havia uma decisão favorável e apresentou um número que não correspondia ao processo prometido, segundo o Ministério Público.
A vítima descobriu a irregularidade quando foi pessoalmente ao fórum. A advogada teria então alegado que a ação fora arquivada devido à morte do pai da cliente e que a transferência deveria ser resolvida no inventário.
Gessyka também recebeu R$ 2.549,12 para processar uma construtora por vícios na obra e infestação de cupins. Parte do valor seria de supostas custas, reduzidas de R$ 830 para R$ 549,12 devido a uma facilidade obtida no balcão do fórum.
A denunciada alegou que a ação tramitava sob segredo de justiça e forneceu um número de processo inexistente. Uma petição foi protocolada posteriormente na Justiça Federal, mas cancelada sem análise porque não preenchia requisitos básicos.
A advogada recebeu R$ 7.100 para atuar no inventário do pai da cliente. Ela afirmava que comparecia ao fórum, conversava diretamente com o juiz e possuía proximidade pessoal com o magistrado.
Gessyka enviava imagens cortadas e vídeos para simular sua atuação, segundo o Ministério Público. A cliente foi ao fórum e descobriu que os atos relatados não haviam sido praticados. A advogada só se habilitou no processo em 21 de janeiro de 2025, após ser cobrada.
A advogada pediu R$ 1.000 para "molhar a mão" de um funcionário do Banco do Brasil, segundo a denúncia. Ela afirmou que o contato poderia acelerar a liberação de valores deixados pelo pai da cliente.
Depois, a denunciada cobrou mais R$ 600 para processar o banco. A ação foi distribuída sem petição ou documentos e cancelada em 19 de março de 2025, mas a cliente fez o pagamento seis dias depois.
A denúncia calcula o prejuízo total em R$ 11.149,12, embora os valores descritos nos quatro episódios somem R$ 12.049,12. O MPDFT ainda não esclareceu a diferença de R$ 900.
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