Por que grandes varejistas estão em crise pelo mundo
Por que grandes varejistas estão em crise pelo mundo - De Alemanha e EUA ao Brasil, redes tradicionais fecham lojas ou recorrem à recuperação e reestruturação diante de juros elevados, mudanças nos hábitos de consumo e avanço do comércio eletrônico.Fechamento de lojas, recuperação judicial e falências deixaram de ser episódios isolados no varejo. Da Europa aos Estados Unidos e ao Brasil, grandes redes que dominaram o consumo nas últimas décadas enfrentam dificuldades para se adaptar a um ambiente marcado por juros elevados, personalização do consumo e concorrência cada vez maior.
A alemã Galeria Kaufhof avalia fechar dezenas de lojas e mantém uma página dedicada a mostrar as filiais encerradas. A brasileira Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial. E a americana Sears, símbolo do varejo décadas atrás, luta para permanecer em operação, após "sobreviver a duas guerras mundiais, uma depressão econômica e diversas oscilações financeiras”.
Embora cada caso tenha suas particularidades, especialistas apontam uma combinação de fatores econômicos, transformação digital e mudanças nos hábitos de consumo entre as causas por trás das dificuldades encontradas pelo segmento.
Parte dessas transformações já vinha sendo observada há mais de uma década. Em meados da década de 2010, o termo Retail Apocalypse ("apocalipse do varejo”) ganhou força no mercado financeiro com a expansão do comércio eletrônico, segundo o jornal Financial Times. Hoje, porém, analistas avaliam que a pressão sobre o setor vai além da digitalização e incorpora desafios financeiros e concorrenciais cada vez mais complexos.
Na Alemanha, que também tem vivido um cenário desafiador para o segmento, um estudo da seguradora de crédito Allianz Trade contabilizou 2.490 falências na área entre agosto de 2024 e agosto de 2025. Já a Sears, que chegou a ser a maior varejista dos Estados Unidos, mantinha apenas cinco lojas no país ao final de 2025, de acordo com a Forbes. No Brasil, além das Casas Bahia, a rede de móveis Marabraz também pediu recuperação judicial.
Apesar da sequência de dificuldades enfrentadas por grandes empresas, especialistas ressaltam que não há uma única explicação para o momento vivido pelo setor.
Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, especializada em varejo, "há uma continuidade, mas não é exatamente o mesmo fenômeno” do apocalipse do varejo, inicialmente associado à dificuldade de grandes redes tradicionais em adaptar extensas estruturas de lojas físicas a uma nova jornada de consumo.
Segundo ela, a transformação digital continua em curso, mas agora é acompanhada por uma pressão financeira maior. Depois de anos de crédito barato, empresas que expandiram suas operações com forte alavancagem (dívidas) passaram a enfrentar juros mais altos, crédito mais restrito e custos maiores para financiar estoques e capital de giro. Ao mesmo tempo, consumidores lidam com endividamento crescente e perda de poder de compra.
"Estamos em uma segunda fase dessa transformação: a primeira questionou o modelo de loja física; a atual está testando a sustentabilidade financeira dos modelos de negócio”, acrescenta.
Os impactos variam entre segmentos.
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