Livro investiga protagonismo feminino na extrema direita brasileira
Em um ano marcado pela disputa eleitoral e pelas discussões sobre os rumos da política brasileira, olhar para a atuação das mulheres na extrema direita também ajuda a entender as mudanças na política nacional.
É nesse cenário que será lançado, em setembro, o livro Mulheres e extrema direita no Brasil , das pesquisadoras Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira, publicado em parceria com a Fundação Heinrich Böll.
A obra, que já está disponível para pré-venda no site da editora Elefante , analisa a participação das mulheres na construção de redes políticas, na circulação de valores conservadores e na disputa por espaços de poder .
Em vez de tratá-las como coadjuvantes de lideranças masculinas, as autoras investigam suas trajetórias e formas próprias de atuação política.
São mulheres que constroem alianças, organizam redes, mobilizam comunidades e atribuem novos sentidos à participação feminina na esfera pública.
O resultado é um livro que ajuda a compreender uma característica central do conservadorismo, mostrando a relação entre protagonismo político feminino e defesa de valores tradicionais relacionados à família, aos papéis de gênero e às relações sociais .
As autoras mostram também como esses valores podem se transformar em instrumentos de mobilização política e contribuir para a construção de redes e alianças.
Nesse contexto, o feminismo aparece como antagonista , revelando uma tensão central: as mulheres ampliam seu protagonismo político enquanto defendem projetos que podem reforçar papéis tradicionais de gênero.
O lançamento acontece às vésperas das eleições de 2026, em um momento em que temas como conservadorismo, religião, direitos das mulheres e participação política ganham novamente espaço no debate público.
Livro “Mulheres e extrema direita no Brasil” A obra oferece uma chave de leitura para um fenômeno que ganhou força nos últimos anos: a transformação de mulheres em agentes importantes da organização e da comunicação da extrema direita brasileira.
“A atuação das mulheres na extrema direita ultrapassa a política institucional e alcança comunidades, igrejas, redes sociais e relações familiares.
Compreender esse protagonismo exige reconhecer a diversidade das trajetórias femininas e observar que a presença de mulheres nos espaços de poder não significa, por si só, avanço na igualdade de gênero.
É fundamental analisar quais direitos, relações sociais e projetos de sociedade são fortalecidos por essa participação”, afirma Marilene de Paula, coordenadora de programas da Fundação Heinrich Böll, e autora do prefácio.
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