Aos 17 anos, ele entrou para uma academia militar. Anos depois, lideraria uma revolução na África
Quando Thomas Sankara chegou ao poder, em 1983, o país que governaria ainda se chamava Alto Volta.
Era uma antiga colônia francesa mergulhada em pobreza, com uma população majoritariamente rural, níveis muito altos de analfabetismo e uma economia dependente do algodão, da ajuda externa e das relações mantidas com a antiga metrópole.
Um dos estudos sobre o período estima que 98% da população fosse analfabeta e situa a renda per capita pouco acima de US$ 100 , números que ajudam a dimensionar a precariedade atribuída ao país naquele momento.
Sankara tinha 33 anos e defendia uma ideia que atravessaria seus quatro anos no poder: a independência política seria incompleta enquanto Burkina Faso continuasse dependente do exterior para financiar o Estado, alimentar sua população e determinar os rumos de sua economia.
Nascido Thomas Isidore Noël Sankara em 21 de dezembro de 1949, em Yako, era filho de um militar do exército colonial que posteriormente se tornou funcionário público.
Cresceu acompanhando as mudanças do pai pelo interior do país e, aos 17 anos, ingressou na academia militar de Kadiogo, nos arredores de Ouagadougou.
Foi ali que sua formação política começou a ganhar forma.
Sankara participou de discussões conduzidas por Adama Abdoulaye Touré, ligado ao Partido Africano da Independência, e teve contato com debates sobre imperialismo, colonialismo e transformação social.
LEIA TAMBÉM: M emórias e resistência contra o poder colonial na África A formação prosseguiu em Madagascar, onde chegou em 1969.
Durante os quatro anos que passou na ilha, acompanhou a revolta de 1972, experiência que teria forte influência sobre sua visão acerca do papel das Forças Armadas no desenvolvimento de sociedades pobres.
Ao retornar ao Alto Volta como oficial, passou a defender que o treinamento dos soldados incluísse também formação cívica e intelectual.
Não demorou a se tornar uma figura pública incômoda.
Em 1981, nomeado ministro da Informação, Sankara ficou conhecido por ir ao trabalho de bicicleta e por estimular jornalistas a investigar casos de corrupção .
Segundo o relato histórico, quando profissionais da agência oficial de notícias sofreram pressão policial depois da publicação de denúncias, ele saiu em defesa da liberdade de imprensa.
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