Análise: Alcolumbre acena, mas mantém controle sobre 6×1
O Senado Federal deve avançar na tramitação das PECs (Propostas de Emenda à Constituição) sobre Segurança Pública e o fim da escala 6×1, mas a análise em plenário tende a ficar para depois do segundo turno das eleições municipais , no final de outubro.
Segundo avaliação da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Bastidores CNN , o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) ainda manteria controle sobre o calendário de votação no plenário .
Apesar de Alcolumbre ter sinalizado, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que destravaria as pautas, as propostas ainda não foram encaminhadas à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) .
Frustração no Palácio do Planalto O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), informou que ainda não recebeu as Propostas de Emenda à Constituição — nem a de segurança pública nem a do fim da escala 6×1.
O Palácio do Planalto já esperava que as matérias tivessem sido enviadas à comissão, o que gerou frustração .
A expectativa é de que a CCJ analise a constitucionalidade das duas propostas antes do término das eleições deste ano.
A análise em plenário, contudo, já foi admitida pelo próprio Palácio do Planalto como algo que só ocorrerá após a conclusão do segundo turno, entre o final de outubro e o início de novembro.
Esse cenário contraria a expectativa inicial de Lula, que pretendia ver as pautas avançarem com mais agilidade.
Leia mais Comissão do Senado ainda aguarda envio da PEC do fim da 6x1 Lula e Alcolumbre se elogiam em 1ª agenda pública após retomarem diálogo Análise: Em aceno ao Congresso, Lula tira 6x1 de discursos recentes Alcolumbre mantém carta na manga Nas conversas reservadas, Alcolumbre foi aconselhado a destravar a tramitação, principalmente da escala 6×1 , para evitar acusações de que estaria bloqueando pautas de forte repercussão eleitoral.
A 6×1 e a PEC da Segurança Pública são apontadas como duas das principais bandeiras de Lula , utilizadas como contraponto ao seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) que já se posicionou contrário às duas propostas.
Segundo a analista de Política da CNN Isabel Mega, aliados de Alcolumbre ponderaram que, caso ele despache as matérias para a CCJ, Otto Alencar — descrito como aliado de primeira ordem do Palácio do Planalto — poderia dar andamento rápido às propostas.
Isso levaria o processo a avançar antes das eleições, algo que Alcolumbre prefere evitar.
Assim, mesmo que o despacho à CCJ ocorra, Alcolumbre ainda manteria controle sobre o calendário de votação no plenário do Senado .
“Ninguém está acreditando que um ponto que mexe bastante com questões eleitorais, como o fim da jornada 6×1, vai ser alvo de uma análise do Senado Federal antes das eleições”, afirmou a analista.
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