Cuidado seguro começa com gestão inteligente das tecnologias em saúde – por Mariana Telles
A segurança do paciente é um dos maiores desafios da saúde global, um tema muito discutido, mas que ainda precisa evoluir.
Segundo o último Relatório Global de Segurança do Paciente da OMS, mais de 1 em cada 10 pacientes sofre algum tipo de dano durante a assistência à saúde, sendo que metade desses casos poderia ser evitado.
Nos países de renda média, onde o Brasil se insere, são 134 milhões de eventos adversos por ano em hospitais, com impacto direto em vidas, em tempo de internação e em recursos que poderiam ser direcionados para ampliar o acesso ao cuidado, por exemplo.¹ São números que pedem uma pergunta incômoda: o que estamos fazendo para mudar isso? A resposta mais comum ainda gira em torno de protocolos, treinamentos e auditorias, ferramentas importantes, mas que atuam predominantemente depois que o problema acontece.
O que me interessa cada vez mais, principalmente atuando no setor de dispositivos médicos, é o que pode ser feito antes.
E aqui, a tecnologia tem um papel que ainda está sendo subestimado.
Para entender por que, é preciso olhar para o contexto em que os profissionais de saúde operam hoje.
A OMS aponta um déficit atual de 5,8 milhões de enfermeiros no mundo e mesmo com avanços projetados, esse número ainda chegará a 4,1 milhões em 2030, com as maiores lacunas concentradas nas regiões mais vulneráveis².
Na região das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde reconhece um déficit estrutural de 600 mil profissionais de saúde, que afeta especialmente as áreas rurais e os territórios com menor infraestrutura³.
No Brasil, esse cenário ainda se traduz numa distribuição desigual: segundo levantamento da FMUSP em parceria com o Ministério da Saúde, quase 60% dos médicos estão concentrados nas grandes capitais, deixando regiões inteiras do interior e do Norte do país com cobertura muito abaixo do necessário⁴.
O resultado prático é que os profissionais disponíveis trabalham sob pressão crescente, com mais pacientes, mais decisões e menos margem para erro.
É nesse contexto que a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade estrutural.
O índice médio de maturidade digital dos hospitais brasileiros ainda é de apenas 46%, o que significa que grande parte das instituições ainda opera com processos fragmentados, dificultando decisões rápidas e assertivas⁵.
O desafio não é a falta de tecnologia disponível, é garantir que ela esteja integrada ao cotidiano de quem cuida e de quem é cuidado.
E essa tecnologia já existe.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.