Birman abre o jogo após tombo de Azzas (AZZA3): sacrifício no 2T26 é salvação no longo prazo, diz o CEO — falta convencer o mercado
Após um trimestre marcado por queda no lucro e pressão sobre a rentabilidade, Alexandre Birman defende que parte da piora foi provocada pela própria Azzas para corrigir estoques e preparar a companhia para uma retomada no segundo semestre
O segundo trimestre da Azzas 2154 (AZZA3) não é exatamente uma fotografia que o CEO Alexandre Birman gostaria de colocar em um porta-retratos.
A gigante da moda viu o lucro líquido recorrente cair 62,5% o ano, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente diminuiu quase 30% — e esses foram apenas alguns dos números que desagradaram o mercado. Com isso, a ação fechou o dia em queda de 3,90%, negociada a R$ 15,26.
O próprio Birman não tentou esconder a insatisfação. Durante a teleconferência de resultados nesta quinta-feira (13), ele conduziu a conversa em um agudo tom de desânimo e reconheceu que o desempenho operacional “não reflete a força das marcas”, além de admitir que a companhia tem desafios de receita, Ebitda e rentabilidade pela frente.
"É óbvio que esse número nos deixa desconfortáveis, mas nós temos controle sobre ele. Essa é uma empresa feita para o longo prazo e o resultado pontual de um trimestre nos deixa, obviamente, muito insatisfeitos, mas com ainda mais garra e disposição para lutar em busca de performance", disse o executivo, que lidera a empresa dona de marcas como Arezzo , Schutz , Farm , Animale e Hering .
Mas, se a fotografia do trimestre é ruim, o CEO argumenta que parte dela foi tirada assim por decisão da própria Azzas. A companhia optou deliberadamente por pisar no freio das vendas para franqueados, mesmo sabendo que a medida teria impacto sobre a receita e a rentabilidade no curto prazo.
A estratégia teve como objetivo atacar um problema que vinha se acumulando desde o fim de 2024: o excesso de estoques na rede de franquias.
Em vez de continuar enviando novas coleções no mesmo ritmo, a Azzas reduziu o chamado sell-in — as vendas da companhia para os franqueados e multimarcas — para dar espaço para que os lojistas vendessem os produtos que já estavam nas prateleiras.
O resultado disso foi uma queda de 13,6% nos canais sell-in em comparação com o mesmo período do ano passado.
O problema, na visão do mercado, é que mesmo sendo em parte um ajuste dos canais de distribuição, a queda do sell-in atingiu diretamente a receita da Azzas e, com menos vendas para diluir os custos fixos da operação, também contribuiu para pressionar a rentabilidade no trimestre.
Do outro lado, porém, as vendas ao consumidor final ( sell-out ) recuaram 1,9% — praticamente estáveis, com alta de 0,3% quando desconsiderada a divisão Basic, onde está a Hering, hoje um dos principais pontos de atenção do grupo. As lojas próprias da Azzas, inclusive, ainda registraram crescimento de 0,9% no período.
O contraste fica ainda mais evidente em Shoes & Bags . Enquanto o sell-in da divisão despencou 21%, o sell-out recuou apenas 1,9%.
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