Proibição das bets amplia o problema e pode ser suicídio eleitoral de Lula
O governo regulamentou as bets, cobrou outorga, criou a Secretaria de Prêmios e Apostas e agora ensaia, em plena campanha, uma medida provisória para jogar o mercado de volta à ilegalidade. Não é aperfeiçoamento da Lei nº 14.790/2023. É atalho eleitoral com data para valer já — e com o Congresso ainda longe de endossar o recuo.
A conta pública é a primeira a sobrar na mesa. Só de janeiro a julho de 2026 a Receita registrou R$ 8,7 bilhões com jogos e apostas; em ritmo semelhante, o ano pode passar de R$ 16 bilhões. Proibir o que o próprio Estado autorizou é abrir mão dessa receita, encarar ação de quem pagou outorga e, no limite, devolver parte do que já entrou no caixa.
Os clubes não esperaram o Diário Oficial. Na nota oficial de ontem, os signatários disseram o óbvio que Brasília finge não ouvir: as apostas de quota fixa viraram uma das principais fontes comerciais do futebol. Só o patrocínio máster na Série A chega a cerca de R$ 1 bilhão por temporada. No primeiro semestre de 2025, as destinações legais do art. 30 da Lei nº 13.756/2018 — mais de 8% do GGR — já superaram R$ 1,6 bilhão para clubes, atletas e o sistema esportivo.
Dirigente nenhum vai traduzir isso em nota técnica para a torcida. Dirão que o governo tirou o patrocinador de uma hora para outra e deixou o time ainda mais endividado. Em ano de urna, isso não é "ruído setorial". É camisa, arquibancada e presidência de clube contra o Palácio — o tipo de desgaste que poderá decidir muitos votos.
O blog ouviu fontes do governo depois de o presidente receber o alerta. Uma delas relatou que o próprio Lula, nas entrelinhas de uma reunião com entidades e movimentos, ponderou o risco político e sabe que uma MP nesses termos teria pouca chance no Congresso, que já travou medidas de controle mais duras. Outra fonte disse que, na terça-feira, ele foi avisado de que as torcidas podem virar contra ele se os clubes amargarem o rombo.
Ou seja: o Planalto não ficou cego. Está calculando se o gesto anti-bet melhora os números das pesquisas e se o Legislativo segura o resto. Medida provisória de efeito imediato serve a esse calendário. Não serve à fiscalização que a lei já prevê e que o governo não implementou por inteiro.
Esses sites não fazem o controle que a lei cobra da operadora autorizada. Entra quem está no Bolsa Família, quem está no Desenrola, menor de idade. Há domínios que o mercado legal denuncia há semanas. O governo tira do ar, rapidamente a URL muda e eles reaparecem. O endereço responde com bloqueio de IP — "access restricted" —, o que só reforça o padrão da clandestinidade: some aqui, reabre ali, sem verificação de identidade, fora da lista oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas e sem um responsável no Brasil. Um deles foi removido às 10 horas desta quinta-feira. Não demorou: já estava de volta ( veja abaixo ) em menos de 15 minutos!
O resultado prático está escrito. Se de fato 62% já apostam onde o Estado não alcança, a MP não encerra o jogo: empurra o resto para o mesmo buraco. Cai o imposto, cai o patrocínio, sobe o site sem CPF. O Congresso, se for coerente com o que já fez, pode barrar ou esvaziar a medida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.