BRICS enfrenta Trump: a construção difícil de uma ordem multipolar
O mundo que criou o BRICS já não existe.
E o mundo que o BRICS pretende construir ainda não nasceu.
Entre essas duas realidades desenvolve-se uma das experiências políticas mais importantes — e também mais contraditórias — do nosso tempo.
Reunidos em Nova Délhi, nos dias 12 e 13 de setembr o , os integrantes do bloco deram mais um passo na construção de uma ordem internacional menos subordinada aos Estados Unidos e às instituições concebidas sob a hegemonia ocidental.
Ao mesmo tempo, mostraram que peso econômico, dimensão populacional e insatisfação compartilhada não produzem automaticamente unidade política.
A 18ª Cúpula do BRICS ocorreu em um cenário internacional particularmente tenso.
Guerras, sanções, disputas comerciais, bloqueios tecnológicos e ataques à soberania dos países transformaram o sistema internacional em espaço de confronto permanente.
As promessas de uma globalização baseada na abertura dos mercados e em regras universais cederam lugar à utilização explícita do poder econômico como instrumento de coerção.
A Declaração de Nova Délhi precisa ser lida nesse contexto.
Ao condenar tarifas unilaterais, barreiras não tarifárias, protecionismo e sanções econômicas não autorizadas pelas Nações Unidas, o BRICS não fez apenas uma defesa genérica do multilateralismo.
Respondeu diretamente às práticas do governo de Donald Trump.
O presidente norte-americano não foi mencionado.
Mas poucas vezes o destinatário de uma mensagem diplomática esteve tão evidente.
Trump, o adversário que não precisou ser nomeado Donald Trump transformou as tarifas comerciais em armas de intimidação política.
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