Após bater os R$ 5,40 com reeleição de Lula, até onde o dólar pode ir?
A disparada do dólar após a eleição reacendeu o debate sobre até onde a moeda americana pode chegar nos próximos meses e quais fatores serão determinantes para sua trajetória.
Embora a reação inicial do mercado tenha sido marcada por forte aversão ao risco, analistas divergem sobre a magnitude e a duração desse movimento, com projeções que vão de um câmbio acima de R$ 5,60 a uma gradual acomodação de volta para níveis mais próximos de R$ 5,30.
Leia também Circuit breaker e maior baixa desde 2020: Ibovespa cai quase 14% após vitória de Lula A última vez que a bolsa precisou acionar o mecanismo foi também em março de 2020, com o mercado reagindo negativamente a medidas relacionadas à pandemia da Covid-19 No curto prazo, a avaliação de analistas é que a volatilidade continuará elevada.
O resultado eleitoral trouxe incertezas sobre os primeiros passos da nova gestão, levando investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros.
Nesse ambiente, o dólar se fortaleceu diante do real, refletindo não apenas fatores domésticos, mas também a cautela dos agentes financeiros em relação às perspectivas fiscais do país.
A principal dúvida dos investidores é se o novo governo adotará medidas capazes de reduzir as preocupações com as contas públicas.
O comportamento do dólar nos próximos meses deverá depender, em grande medida, de sinais relacionados ao compromisso fiscal, à trajetória da dívida pública e à composição da equipe econômica.
Reação exagerada? Há, porém, quem considere que a reação inicial do mercado foi excessivamente negativa.
O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, citado pelo Estadão Conteúdo, Álvaro Vivanco, avalia que o movimento observado logo após a eleição exagerou os riscos do cenário.
Diante dessa leitura, o banco ampliou sua posição vendida em dólar contra o real, apostando em uma valorização da moeda brasileira ao longo dos próximos meses.
A visão do Wells Fargo parte da expectativa de que o governo seja capaz de apresentar um ajuste fiscal considerado suficiente para restaurar parte da confiança dos investidores.
Além disso, a eventual escolha de um ministro da Fazenda bem recebido pelo mercado poderia contribuir para reduzir os prêmios de risco atualmente embutidos nos ativos brasileiros.
Nesse cenário mais benigno, Vivanco projeta o dólar retornando para a faixa de R$ 5,30, valor que considera próximo do preço justo para o câmbio após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
A estimativa sugere que parte relevante da alta recente poderia ser revertida caso haja melhora da percepção em relação à política econômica.
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