Entre Washington e Pequim, o Pix prova que o Brasil não cabe em gueto algum
Em Xangai, na quarta reunião do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégica China-Brasil, realizada em junho de 2026, autoridades monetárias dos dois países avançaram entendimentos sobre moedas locais, investimentos e integração de sistemas de pagamento.
Semanas depois, em agosto, a China UnionPay International colocou em operação no Brasil um piloto de pagamentos por QR Code conectado à infraestrutura do Pix.
Pequim trata o sistema brasileiro como avanço técnico merecedor de conexão direta.
Dias antes desse piloto, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos citou o Pix na investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usando o sistema como argumento para sustentar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A coincidência de datas expõe o contraste com nitidez: Pequim conecta, Washington tarifa.
A China amplia acesso à infraestrutura brasileira; os Estados Unidos fecham fronteira comercial em nome de bandeiras privadas.
Tenho interesse por geopolítica há um bocado de tempo e só umas poucas vezes registrei contraste tão didático entre duas potências diante da mesma tecnologia.
Já em 1998 escrevia que tecnologia carrega poder político equivalente a armamento e petróleo.
O caso do Pix confirma essa tese com precisão incomum: a mesma ferramenta pública desperta interesse operacional numa potência e reação punitiva na outra.
Os números explicam o apetite tanto dos Estados Unidos quanto da China.
Em maio de 2026, o Pix ultrapassou 7 bilhões de transações mensais e movimentou mais de R$ 3 trilhões em 30 dias.
Em 2025, aproximou-se de 80 bilhões de operações anuais.
A trajetória cresceu vertiginosamente.
Em 2023, o Pix realizou 41,9 bilhões de transações e superou, em quantidade, a soma de cartão de crédito, cartão de débito, boleto, TED, DOC e cheques.
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