Sudeste pode sofrer secas extremas e crises hídricas nos próximos anos
Um estudo liderado por instituições brasileiras alerta que, caso não sejam tomadas medidas adequadas, o Sudeste corre risco de sofrer com secas extremas e crises hídricas com o avanço das mudanças climáticas.
De acordo com a nova pesquisa, a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, essencial para o abastecimento das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, terá secas com menor frequência.
Por outro lado, as que acontecerem ganharão força suficiente para durar mais tempo em algumas sub-bacias.
Em partes menores, podem ser até sete vezes mais severas, em comparação com os registros históricos da região.
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Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Recursos Hídricos nesta sexta-feira (21/8).
Os autores usaram matemática para filtrar modelos climáticos e chegar às conclusões.
Segundo as projeções, na porção alta da bacia, onde estão os reservatórios de Paraibuna e Santa Branca, localizados no estado de São Paulo, as estiagens que costumam durar entre oito e nove meses devem durar por quase dois anos contínuos até o final do século.
Já na sub-bacia de Santa Cecília, localizada no município de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, o resultado encontrado é ainda mais problemático.
Ao projetar uma escala que avalia a força das secas, em um cenário climático mais pessimista, o índice pode ser superior a 58 pontos, enquanto a média histórica fica em 7,9 atualmente .
O achado aponta que as crises hídricas no local tendem a ser bem mais severas, caso o cenário seja confirmado.
“O desafio do futuro não será necessariamente conviver com mais eventos de secas, mas com secas potencialmente mais difíceis de enfrentar.
A recuperação entre um evento crítico e outro pode levar mais tempo.
Para quem vive nas regiões abastecidas pelo Paraíba do Sul, a principal mensagem é que precisamos olhar não apenas para as emergências, mas também para a preparação”, explica um dos autores do estudo, Lucas Pereira de Almeida, em comunicado.
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