Nos debates sobre juros, há uma resposta simples
Existem duas questões envolvendo taxas de juros no Brasil que vêm motivando discussões entre economistas e agentes do mercado, em busca de explicações.
A primeira delas é estrutural e tem a ver com o nível da taxa de juros no Brasil.
A discussão não é apenas sobre a taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano, mas sobre os juros reais, que, a despeito de estarem na casa dos 9% ao ano, não conseguem trazer a inflação para a meta.
A maior parte dos participantes do debate público aponta o déficit fiscal e a trajetória da dívida pública como parte relevante da explicação para o juro alto.
Mas a questão fiscal não traz todas as respostas para essa anomalia.
Fatores ligados à baixa eficácia da política monetária, como spread bancário elevado, alta inércia inflacionária e indexação da dívida à Selic (com efeito riqueza) também ajudam a explicar os juros altos.
Uma meta de inflação de 3%, bastante inferior ao histórico da inflação real dos últimos anos, também não ajuda na coordenação das expectativas, na medida em que os agentes econômicos resistem a usar esse percentual para fazer seus orçamentos e planos de negócio.
Apesar de não haver respostas simples para o primeiro tema, é importante que a discussão continue, porque uma Selic persistentemente na casa de 14% ou 15% ao ano inviabiliza os negócios no Brasil.
Numa amostra captada no Valor PRO de 128 empresas não financeiras listadas na B3 e que compõem o índice IBrA (a elite empresarial brasileira), 16% tiveram uma despesa financeira líquida maior que o lucro operacional nos últimos 12 meses até junho, ante um índice de 9% no período imediatamente anterior.
E essas são apenas as que estão debaixo d’água de fato.
Quando se pensa em termos econômicos, e se olha para o retorno sobre ativos da mesma base de empresas (calculado pela relação entre o lucro operacional e o ativo total), apenas 13% delas têm negócios que deram retorno acima dos 14% da taxa Selic no último período de 12 meses.
Ou seja, esse nível de taxa de juros faz a grande maioria das empresas do país destruir valor.
Não porque são negócios ruins.
Mas porque a taxa livre de risco é demasiadamente elevada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.