A ferida narcísica do envelhecimento e o direito de continuar desejando
As polarizações jovem-velho, masculino-feminino, são as duas polaridades que mais organizam e hierarquizam o lugar social das pessoas.
Os valores associados à juventude e à masculinidade são os grandes geradores de estigmas e preconceitos.
Em relação à pessoa idosa, esse estigma tem nome: idadismo, ageismo, etarismo.
Palavras sinônimas para expressar o preconceito e a discriminação baseados na faixa etária, que lhe trazem prejuízos, desvantagens e injustiças.
Numa sociedade excludente, marcada pela cultura do corpo jovem, as pessoas com mais de 60 anos têm sido destituídas de sua dignidade.
Aos 80 invisibilizadas, apesar de todos as leis em sentido contrário: Constituição da República, artigo 230; Lei 8.842/94 (Política Nacional da Pessoa Idosa.); Lei 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa) Nesse sentido, o Dia Internacional da Pessoa Idosa, (1º/10), instituído pela ONU em 1990 nos remete a importantes reflexões.
Por que essas pessoas são tão invisibilizadas, e desrespeitadas em seus direitos e em sua autonomia? Etarismo não perdoa ninguém De todos os preconceitos, é o único que atinge, ou atingirá, todas as pessoas, mesmo aquelas que nunca sofreram qualquer discriminação.
É a “malha fina” dos julgamentos morais e sociais: mulher, homem, trans, cis, indígena, branco, preto, alto, magro, gordo, sem-terra, latifundiário, presidente, general ou rei, famoso e anônimo.
Eu, você, nossos filhos, se estivermos vivos, todos sofreremos discriminações.
O preconceito contra a pessoa idosa tem produzido injustiças e equívocos nas políticas públicas de saúde e, consequentemente, na proteção às famílias.
Elas não fazem mais parte da engrenagem política e econômica.
As pessoas idosas não são incapazes, embora integrem um grupo vulnerável.
A incapacidade é um estado da pessoa que presume a sua vulnerabilidade, mas a recíproca não é verdadeira.
Idade não é causa de incapacidade.
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