Pentágono anuncia ataques “em terra” contra narcotraficantes na América Latina, ampliando ofensiva militar
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou no Panamá que Washington planeja realizar ataques “em terra” contra narcotraficantes na América Latina, expandindo uma ofensiva que, desde setembro do ano passado, opera em águas internacionais com bombardeios aéreos contra embarcações suspeitas.
O anúncio foi feito durante exercícios militares multinacionais na Cidade do Panamá, com a participação de cerca de 20 países, e ocorre dias após a Colômbia aderir à Coalizão das Américas contra os Cartéis, aliança de 19 nações liderada pelo governo de Donald Trump.
Hegseth comparou os grupos de narcotráfico a organizações terroristas como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, rejeitou processos judiciais como resposta e invocou uma versão atualizada da Doutrina Monroe para justificar a expansão da presença militar norte-americana na região.
EUA anunciam ofensiva terrestre na América Latina Pete Hegseth foi direto ao ponto ao falar com jornalistas no Panamá: os Estados Unidos pretendem reproduzir em território continental a mesma capacidade operacional empregada nos ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico oriental.
“Será o mesmo efeito em terra.
Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs em terra”, afirmou o secretário, usando a sigla para “organizações designadas como terroristas”.
A ofensiva se enquadra nos esforços da Coalizão das Américas contra os Cartéis, mas Hegseth deixou claro que o alcance das operações não depende da adesão à aliança: os ataques poderão ocorrer “onde quer que” grupos do narcotráfico estejam operando.
A Colômbia, que aderiu à coalizão nesta semana, ocupa posição central nos planos imediatos de Washington.
Antes de se reunir com o novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, Hegseth anunciou que o país autorizou “operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”.
O secretário confirmou que discutiu com Mora ações contra grupos como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e remanescentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ambos classificados pelos EUA como organizações terroristas.
O México, onde operam alguns dos maiores cartéis da região, permanece fora da aliança.
A “guerra às drogas” e a comparação com o terrorismo A retórica de Hegseth no Panamá foi construída sobre uma equiparação deliberada: narcotraficantes tratados como terroristas de guerra, não como suspeitos a serem processados.
“Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o ISIS ou a Al-Qaeda”, declarou o secretário.
A comparação não é apenas discursiva: ela serve de base legal e política para justificar ataques letais sem revisão judicial.
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