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Apoio dos mais jovens à eutanásia mostra que compaixão tem futuro no Brasil

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Apoio dos mais jovens à eutanásia mostra que compaixão tem futuro no Brasil

A maioria dos brasileiros é contra a morte assistida, seja a eutanásia (quando alguém aplica um produto para interromper a vida a pedido de alguém, criticada por 56% e defendida por 39%) ou o suicídio assistido (quando a própria pessoa toma a medicação, que marca 60% a 35%), aponta pesquisa inédita do Datafolha. A margem de erro é de dois pontos.

Todos nós vamos morrer um dia (sim, e aprenda a lidar com isso). Diante de um sofrimento doloroso e extremamente insuportável na reta final, deveríamos poder optar pela dignidade. O Estado brasileiro nega isso aos seus cidadãos, com o apoio da maioria deles. Sim, um caso em que os torturados saúdam o torturador.

Têm sido frequentes os pedidos à Justiça para que pacientes terminais com dores insuportáveis possam dar cabo da existência. Querem ter o direito de partir lúcidos e ao lado dos familiares, com a ajuda médica, mas muitos apelos vêm sendo solenemente ignorados. A eutanásia segue equiparável ao homicídio, com pena reduzida por motivo de piedade.

Alguns acabam cometendo suicídio sozinhos; outros, ajudados na clandestinidade. Na verdade, pouco importa, porque, em ambos os casos, isso significa que o Estado lhes deu as costas. Afinal, isso não é uma discussão sobre a morte, mas sobre a vida e sua dignidade, ou seja, sobre como as pessoas querem terminar os seus dias.

Histórias de médicos que aplicam eutanásia diariamente nas UTIs não são raridade no Brasil. São pessoas com sensibilidade para entender quando o seu semelhante quer, conscientemente, ir embora devido a um sofrimento extremo e não tratável.

Sim, qualquer marmota bêbada sabe que a morte assistida existe tanto quanto o aborto nas condições não previstas em lei. Nem toda overdose de opiáceo intravenoso é acidente ou se encaixa em ortotanásia, quando médico e paciente deixam a vida seguir seu curso (na pesquisa, 48% concordam e 48% discordam da interrupção de tratamento que prolongam a vida artificialmente). Mas isso acontece mais facilmente quando a pessoa tem dinheiro e acesso a recursos e a bons profissionais.

Há também os profissionais de saúde que atendem aos apelos de familiares que não querem deixar seus entes queridos partirem e os mantêm em uma não vida por meses, mesmo diante das súplicas deles.

A Medicina convencionou chamar de pacientes terminais as pessoas que se encontram no estágio final de moléstias fatais, como é o caso de um câncer avançado. Em hospitais, laboratórios e centros de saúde, trava-se uma verdadeira batalha contra essas doenças. Uma guerra na qual o inimigo precisa ser derrotado a qualquer custo. A questão é que, muitas vezes, ignora-se quando a guerra passa a ser financiada à custa da dignidade do paciente.

Há algo entre o nascer e o morrer que nos faz únicos. E não é o tempo que permanecemos no planeta, mas sim a forma como gastamos esse tempo.

O Estado deve proteger a vida. Mas que tipo de vida? Aquela sem qualidade nenhuma, de dor e sofrimento, apenas para cumprir uma exigência legal, filosófica ou religiosa?

A pressão exercida pelos 56% contrários à eutanásia e pelos 60% opositores ao suicídio assistido nos faz sentir o quão mesquinha é a humanidade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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