Por que Moraes autorizou Bolsonaro a deixar prisão domiciliar para novo atendimento
Ministro do STF liberou saída, mas com condições rigorosas de segurança; atendimento pode ser cancelado se data e horário vazarem
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta segunda-feira (17), que o ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL) deixe a prisão domiciliar humanitária para realizar tratamento odontológico.
O pedido havia sido feito pela defesa na sexta-feira (14), com indicação da nora do ex-presidente como dentista responsável, proposta que Moraes rejeitou.
A decisão não define data, horário nem profissional e estabelece que o atendimento será cancelado caso qualquer informação sobre o agendamento seja divulgada antecipadamente.
A defesa havia indicado Fernanda Antunes Figueira, esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e nora do ex-presidente, como a profissional que realizaria o atendimento. Moraes deferiu o pedido nesta segunda (17), mas recusou a indicação: a nora não está autorizada a realizar a consulta.
A decisão autoriza a saída, mas deixa em aberto os detalhes centrais do procedimento. Nem o dentista, nem a data, nem o local foram definidos na decisão do ministro.
O que foi estabelecido é o caminho para que esses elementos sejam acordados entre as partes responsáveis pela custódia e pela defesa do ex-presidente.
Moraes sugeriu, com base em indicação do Núcleo de Custódia da Papudinha, que o atendimento seja realizado no Centro Médico da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) , por razões de segurança. A sugestão não é uma determinação, mas sinaliza o ambiente considerado adequado pelo próprio aparato de custódia.
Os detalhes logísticos do atendimento, incluindo data e horário, deverão ser combinados diretamente entre a defesa de Bolsonaro e o tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, subdiretor do Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal. A negociação direta com o oficial reforça o controle institucional sobre cada etapa do deslocamento.
A condição mais restritiva da decisão é a possibilidade de cancelamento: se qualquer informação sobre data e horário do procedimento vazar, o atendimento será suspenso . A cláusula transforma o sigilo em requisito operacional, não em recomendação.
Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária desde março deste ano, regime concedido pelo próprio Moraes em razão do estado de saúde do ex-presidente. Antes disso, ele cumpria pena no 19º Batalhão da PM do DF, instalação dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”.
Qualquer saída da residência ou atendimento médico externo depende de autorização expressa do ministro, que é o relator do caso no STF.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. A última vez que Bolsonaro deixou a residência foi em 1º de maio, para uma cirurgia no ombro.
A consulta odontológica, quando realizada, será apenas a segunda saída desde que o regime domiciliar foi concedido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.