Trump precisa adotar uma postura dura com a China, mas evita fazer isso
A administração Trump parece ter adotado uma estratégia de recurso no conflito com o Irã, após ataques militares e negociações não terem resultado em vitória: a ameaça de sanções econômicas severas.
O Secretário do Tesouro, Scott Bessent , classificou-as como as “sanções mais duras da história”, capazes de “fazer o regime colapsar”.
Ele chegou a descrever a medida como um “Dia D econômico” para o Irã, traçando um paralelo com a histórica invasão da França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Trump diz que Irã enfrenta "crise humanitária de proporções épicas" Trump precisará da China para pressionar o Irã, mas apoio de Xi é incerto Análise: Trump retoma guerra comercial dos EUA contra aliados Há apenas um problema: para concretizar essas ameaças, não basta endurecer a postura em relação ao Irã; é preciso também adotar uma linha dura com a China, principal parceiro comercial de Teerã .
No entanto, Trump e sua administração têm demonstrado grande relutância em fazer isso.
Ao apresentar a estratégia econômica na segunda-feira, Bessent não citou países específicos que seram punidos — nem estabeleceu prazos — caso não rompam laços com o Irã.
Além disso, o anúncio não incluiu sanções secundárias contra os grandes bancos chineses que viabilizam as compras de petróleo iraniano por Pequim.
A China compra até 90% do petróleo do Irã.
Analistas econômicos afirmaram à CNN que mirar esses bancos e empresas chinesas seria fundamental para causar um impacto severo na economia iraniana.
Mas, não pela primeira vez nos últimos dias, Bessent evitou detalhar exatamente quais medidas seriam tomadas nessa frente.
Ele sugeriu que recados estavam sendo enviados — afirmando que “ninguém está fora do alcance das sanções dos EUA” —, mas não especificou o que acontecerá em relação à China.
“Se eles facilitarem transações e fizerem parte do ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro e em repressão, serão alvos de sanções”, disse Bessent.
“Acreditamos que a melhor maneira de lidar com os países é por meio de uma diplomacia discreta.” Ele acrescentou: “Assim, quando o peso das ações do Tesouro dos EUA recair sobre eles, não terão a quem culpar senão a si mesmos.” No entanto, seria compreensível pensar que tudo isso não passa de muito barulho e fúria, mas com pouco efeito prático.
Isso ocorre porque o governo não apenas recuou frequentemente das ameaças feitas no contexto da disputa com o Irã, como também tem um histórico de cautela em relação à China — cujo líder, Xi Jinping , deve visitar a Casa Branca no próximo mês.
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