Desindustrialização compromete soberania em saúde
A pandemia revelou nossa dependência de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e medicamentos.
A reorganização geopolítica mostrou que depender de poucos fornecedores também representa um risco econômico e estratégico.
O mundo mudou.
A pergunta agora é: o Brasil mudará junto? Aprecio o conceito do economista Eduardo Giannetti acerca do fim da hiperglobalização.
Segundo ele, e eu concordo, as decisões econômicas mundiais não se limitam mais à produtividade, competitividade e escala.
Outros fatores ganham destaque, tais como segurança geopolítica e institucional, mudança climática, bem como a necessidade de diversificar os fornecedores nas cadeias de produção.
E o Brasil, em virtude das suas características, está muito bem-posicionado para ocupar um papel de maior relevância na economia mundial.
Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor Seguindo essa lógica, a soberania nacional, o “slogan” do presente e do futuro para o Brasil liderar agendas globais nos mais diversos setores, incluindo a área da saúde, voltou à pauta das discussões com a sanção presidencial da Lei 15.471/2026 , que institui a Estratégia Nacional de Saúde do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ensceis).
De maneira simples (e não simplista), a iniciativa busca ampliar a produção nacional de medicamentos, insumos farmacêuticos, vacinas e equipamentos estratégicos; reduzir a dependência de importações; estimular a inovação e a articulação entre governo, indústria e instituições de pesquisa; reforçar a segurança sanitária e a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde ( SUS ).
A construção dessa almejada capacidade produtiva e tecnológica em saúde também não pode ser aclamada de forma simplista, pois suas bases se consolidam necessariamente pelo fortalecimento da indústria nacional.
Em especial, a de IFAs, o elo fundamental para a cadeia farmacêutica, o primeiro passo da transformação de um produto químico em um novo medicamento, vacina ou terapias inovadoras.
Portanto, o fortalecimento da produção nacional de IFAs é tão indispensável quanto a produção da matéria-prima.
Industrialização na veia, que vale uma volta no tempo: o Brasil, que hoje produz menos de 10% dos IFAs utilizados para fabricação de medicamentos no país, já foi um dos maiores produtores globais.
Nas décadas de 1970 e 1980, o governo tratava as indústrias farmacêutica e de IFAs como estratégicas para o país, afinal, uma população não se sustenta sem medicamentos e sem alimentos primordialmente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.