Cercas reduzem atropelamentos de jacarés em 70%, mas efeito varia entre espécies
Cercas com mais de 3 quilômetros instaladas em trechos da BR-262, entre Anastácio e Corumbá, reduziram em 70,4% os atropelamentos de jacarés-do-pantanal, mas a mesma eficácia não foi constatada para cachorros-do-mato e capivaras.
O resultado faz parte de um estudo científico publicado recentemente que avaliou a mortalidade de animais na rodovia e a eficácia de estruturas destinadas a impedir o acesso da fauna à pista.
A pesquisa analisou 278,3 quilômetros da BR-262, em áreas de Cerrado e Pantanal de Mato Grosso do Sul, e reuniu dados de monitoramentos realizados em períodos descontínuos entre 2011 e 2021.
Parte do trabalho também comparou áreas da rodovia antes e depois da instalação de cercas.
Os resultados foram publicados no artigo científico "From roadkill monitoring to evidence-based wildlife mitigation in the Brazilian Pantanal", em tradução livre, "Do monitoramento de atropelamentos à mitigação da fauna baseada em evidências no Pantanal brasileiro", na revista internacional "Global Ecology and Conservation".
O estudo é liderado pela pesquisadora Fernanda D.
Abra e reúne 20 autores ligados a instituições brasileiras e estrangeiras, entre elas Smithsonian National Zoo Conservation Biology Institute, ViaFAUNA Estudos Ambientais, ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), UFPA (Universidade Federal do Pará), DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), WWF (Fundo Mundial para a Natureza) e IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
A equipe também inclui profissionais vinculados à Superintendência Regional do DNIT em Campo Grande.
Cercas longas - Para medir a eficácia do cercamento, os pesquisadores utilizaram o modelo BACI (Before-After-Control-Impact), sigla em inglês.
O método compara o que ocorreu antes e depois de uma intervenção, considerando locais que receberam a medida e áreas semelhantes onde ela não foi implantada.
Na BR-262, foram analisados trechos antes e depois da instalação das cercas, ocorrida em junho de 2019.
A pesquisa considerou cinco segmentos com cercas curtas e dois com cercas longas.
Para cada trecho submetido à intervenção, foi selecionada uma área de controle com a mesma extensão e características ambientais semelhantes, localizada a pelo menos 2,5 quilômetros de distância.
Foram classificadas como curtas as cercas com menos de 300 metros, que tinham extensão média de 263 metros.
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