Dino cita "injustiças" após ação criticada por atingir sigilo de fonte
O ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (13) que sua função como juiz o faz "suportar calado agressões e injustiças" e assistir a "distorções monumentais quanto a fatos". A declaração ocorre em meio às críticas a uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes contra pessoas apontadas como fontes do jornalista Luís Pablo Almeida, responsável pelo Blog Luís Pablo.
Dino não citou Moraes, o blogueiro nem as entidades que questionaram a medida. Disse, porém, que a magistratura restringe sua participação em debates públicos. "Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas", escreveu.
A investigação remonta a novembro de 2025, quando Luís Pablo publicou textos sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Dino e familiares no Maranhão. As reportagens questionavam, entre outros pontos, a utilização de um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e traziam imagens e informações sobre o veículo.
A assessoria de Dino nega irregularidades. Segundo a versão apresentada pelo ministro, um veículo blindado do TJ-MA foi cedido a pedido da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação entre a Corte e tribunais do país.
A Polícia Judicial do Supremo entendeu que a divulgação de fotos, placas e informações sobre deslocamentos poderia representar risco à segurança de Dino e de seus familiares. O episódio deu origem a uma investigação por suposta perseguição ao ministro.
Uma delas é o delegado aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão. Segundo a PF, ele teria acessado sistemas restritos para obter dados sobre veículos e deslocamentos relacionados a Dino e repassado informações ao jornalista.
Na terça-feira (11), Moraes autorizou buscas contra Cutrim e contra o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís.
No caso de Diniz Lima, a PF afirma ter encontrado mensagens indicando que ele orientava Luís Pablo sobre conteúdos que pretendia ver publicados. A decisão também menciona uma transferência de R$ 100 mil em benefício do jornalista, destinada, segundo a investigação, à compra de um imóvel rural.
O despacho, porém, não relaciona o pagamento à publicação das reportagens nem a Cutrim. Luís Pablo nega ter recebido dinheiro para produzir matérias e afirma que o valor se refere a um empréstimo de um amigo. A investigação tramita sob sigilo.
A controvérsia aumentou porque a PF identificou supostas fontes a partir das comunicações apreendidas do jornalista.
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