Sem luz há quase 28 horas, paciente "respira" com energia da vizinha
“Ela prontamente cedeu.
A enfermeira foi até a Leroy [Merlin], comprou 100 metros de cabos e fizemos a extensão”, conta Margiane Reis sobre a ajuda recebida para manter os aparelhos do marido ligados durante o apagão.
Alessandro Moreira dos Reis, acamado e traqueostomizado, depende desde a noite de quinta-feira (10) da energia cedida por uma vizinha no Carandá Bosque, em Campo Grande.
A casa da família, na Rua Kame Takayassu, ficou sem luz durante o temporal, e uma ligação improvisada atravessa imóveis até chegar ao quarto onde ele permanece.
O paciente precisa de respirador 24 horas por dia, além de inalador, aspirador, oxigênio, bomba de infusão, oxímetro e colchão pneumático.
A eletricidade também mantém um frigobar usado para conservar dieta enteral e medicamentos.
A alternativa surgiu quando a enfermeira que acompanha Alessandro percebeu que uma rua lateral ainda tinha fornecimento.
Ela procurou uma moradora, explicou a situação e recebeu autorização para puxar a eletricidade até a casa do paciente.
Com 100 metros de cabo, a ligação passou por outra residência e entrou pela janela do quarto.
Desde então, é essa estrutura que sustenta os equipamentos necessários aos cuidados do paciente.
Alessandro tem granulomatose de Wegener, doença autoimune diagnosticada em 2014, e está acamado há 12 anos.
A condição exige acompanhamento permanente e torna a família especialmente dependente do fornecimento elétrico.
Até a noite desta sexta-feira (11), quase 28 horas depois da interrupção, a casa ainda não havia recuperado o fornecimento normal.
Margiane teme que uma pane ou nova queda interrompa a ligação improvisada que mantém o marido assistido.
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