França se prepara para eleições de 2027 sob temor de duelo entre extremos
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Agosto costuma esvaziar a França . O país migra para o litoral e a vida política some com os ministros, mas neste ano o verão veio diferente, porque a eleição presidencial de 2027 já projeta sua sombra e o campo político passou a se rearrumar antes que fosse tarde.
No fundo, de toda essa movimentação está um único medo: o de um segundo turno entre a extrema direita de Marine Le Pen e a extrema esquerda de Jean-Luc Mélenchon , da França Insubmissa, um cenário que deixaria de fora todo o centro e boa parte da direita e da esquerda tradicionais. O temor ganhou corpo com a entrada de Le Pen, líder da Reunião Nacional, na corrida. Condenada em segunda instância por desvio de fundos do Parlamento Europeu, ela viu a pena de inelegibilidade ser reduzida em julho a um período já transcorrido, e está candidata, ainda que um recurso pendente na Corte de Cassação possa reabrir a questão perto da eleição. Lidera as pesquisas com folga: uma sondagem Elabe de julho lhe deu 34% a 35,5% no primeiro turno e a apontou como vencedora no segundo turno contra qualquer adversário, inclusive Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de centro-direita, hoje no partido Horizons e o nome mais forte do bloco central.
Toda a agitação de agosto é uma tentativa de conjurar esse duelo. François Bayrou , do Movimento Democrático (centro), propôs uma primária ampla, do Partido Socialista aos herdeiros do gaullismo reunidos em Les Républicains, a direita tradicional, para escolher um nome único capaz de barrar Le Pen e Mélenchon. Gabriel Attal, do Renaissance (o partido de Emmanuel Macron ), quer um agrupamento de direita e esquerda em torno de um projeto liberal, e há quem cogite um retorno de François Hollande , o ex-presidente socialista, cotado por parte do próprio campo macronista como candidato de experiência.
A reação a essas ideias explica por que a união não sai do papel. Olivier Faure, secretário-geral do PS, respondeu que os franceses não querem uma nova versão do bloco macronista, e sim uma alternativa a ele, enquanto Bruno Retailleau, candidato de Les Républicains, avisou que a ausência de seu partido na disputa seria a morte da legenda. Cada um recusa a aliança no instante em que ela é proposta. Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas Ifop, resumiu o beco sem saída: o maior risco para o centro é virar um bloco disforme, sem contornos, cuja única bandeira seja evitar Le Pen e Mélenchon.
O primeiro teste vem antes de 2027. Em 27 de setembro deste ano, a França renova metade do Senado, e a Reunião Nacional, que hoje tem apenas três senadores e cresceu nas eleições municipais de 2026, espera dobrar ou triplicar sua bancada e sonha em formar seu primeiro grupo na história da Casa, o que exige dez cadeiras. É voto indireto, decidido sobretudo por prefeitos e vereadores, mas já dá a medida de para onde o país se inclina. Tudo isso sobre um chão instável, com o déficit francês em torno de 5% do PIB e a dívida em torno de 116%, num quadro em que qualquer candidato do centro terá de pregar sacrifício fiscal que ninguém quer assumir sozinho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.