Como física, química e computação podem ajudar a entender a obra de Portinari
O texto a seguir foi publicado originalmente no Jornal da USP.
Candido Portinari (1903-1962) é um dos mais importantes pintores do Brasil, com uma vasta e aclamada produção artística reconhecida internacionalmente.
Suas obras, cores características e processo criativo são comumente estudados, visando a ampliar conhecimentos sobre o processo, composição e conservação dos trabalhos.
Com isso é possível prevenir perdas e identificar falsificações, além de auxiliar na documentação da arte e driblar dificuldades no processo de restauração.
Pensando em novas formas de pesquisar obras de arte, uma pesquisa do Instituto de Física (IF) da USP utilizou uma nova metodologia para analisar as obras, seus compostos químicos e esboços.
O artigo relatando os resultados faz parte do estudo de Itiara Mayra de Albuquerque, doutoranda do IF.
Voltada para a análise mais matemática e sistematização computacional das pinturas murais de Portinari, a pesquisa teve como principal objetivo desenvolver novas formas de analisar obras de arte combinando técnicas da ciência do patrimônio e ferramentas computacionais.
Continua após a publicidade A nova metodologia foi aplicada na análise do mural São Jorge e Dragão (1943) , pintado nas paredes da casa do pintor em Brodowski (SP), sua cidade natal .
Desde 1970, o local funciona como o Museu Casa de Portinari, instituição parceira do Laboratório de Arqueometria e Ciências Aplicadas ao Patrimônio Cultural (LACAPC), coordenado por Marcia Rizzutto.
Orientadora do doutorado, Marcia também participou do processo de pesquisa e formulação do artigo.
Com as máquinas, os tubos de tinta não precisam ser abertos para serem analisados.
LACAPC/IFUSP via Jornal da USP/Reprodução O método utilizado na pesquisa é uma junção de diferentes técnicas já utilizadas em diferentes áreas da Ciência do Patrimônio e pelo grupo do LACAPC.
Os dados para análise da pintura mural e dos tubos de tinta utilizados pelo pintor, disponíveis na Casa Museu, foram obtidos a partir de técnicas espectroscópicas complementares de fluorescência de raios X – utilizada para identificar elementos químicos na amostra – e de Raman – que identifica compostos químicos usando laser.
Todos os equipamentos utilizados são portáteis e foram levados até o museu, onde a análise foi realizada.
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