Cientistas se inspiram em elefantes da África para criar construções menos quentes
Em um cenário de mudanças climáticas, falar (ou melhor, reclamar) sobre a previsão do tempo virou rotina.
O calor é, com certeza, o maior alvo das reclamações, até porque ele vem acompanhado de um desconfortável infernal, como o sol de rachar, a fadiga e o suor.
Mesmo que seja considerado nojento por muitas pessoas, o suor é um mecanismo que evita o superaquecimento do organismo e o mantém equilibrado.
Trata-se de um dos sistemas de resfriamento mais eficientes que existe, mas nem todos os animais têm a capacidade de transpirar, como o elefante africano (Loxodonta africana), que suporta o calor intenso da savana africana graças às suas rugas, ou seja, às fissuras na pele que retém água.
Inspirados por essa pele rachada, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) desenvolveram uma telha de cimento de baixo custo que resfria edifícios devido à captura e à evaporação lenta da água que entra em contato com a sua superfície.
A ideia tem como objetivo tornar os edifícios em ambientes termodinamicamente equilibrados.
A telha, na verdade, é um azulejo à base de cimento que captura, retém e evapora lentamente a água, permitindo o resfriamento de determinados locais sem que sejam necessários ventiladores ou peças de móveis complexas.
Os principais detalhes de desenvolvimento e resultados foram publicados na revista científica Advanced Materials em 20 de abril.
Que calor! Capturar água para permitir sua evaporação e usar essa mudança de fase para dissipar o calor parece simples, certo? A equipe de cientistas, no entanto, descobriu que é uma missão desafiadora, até porque a maioria dos materiais de construção convencionais continuam a ser péssimos nesse processo de resfriamento.
As gotas de água que se acumulam nos azulejos dos de hoje se acumulam ou escorrem pela superfície antes de conseguirem resfriar com eficiência.
Então, o grande desafio dos pesquisadores era encontrar uma maneira de guiar cada gota para maximizar seu potencial.
Foi a partir disso que eles decidiram estudar as fissuras, ou melhor, as rachaduras que, antes, eram um símbolo de fragilidade ou deterioração e, agora, podem servir como “canais capilares” dos edifícios.
As cientistas desenvolveram azulejos economicamente mais sustentáveis e inspirados no sistema de refrigeração dos elefantes, com interiores presos e semelhantes aos favos de mel Eric Sucar/Universidade da Pensilvânia Em comunicado, Shu Yang, da Universidade da Pensilvânia, explicou que os azulejos verdadeiramente resfriam a “pele” da construção.
Somado a isso, o novo sistema é considerado passivo, já que, diferente dos ares-condicionados mecânicos, não consomem combustíveis fósseis e não contribuem com o acúmulo de calor externo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.