Os detalhes do plano de recuperação extrajudicial da Braskem
A Braskem deve protocolar, ainda nesta segunda-feira, 24, o pedido de recuperação extrajudicial com o apoio de credores que representam mais de um terço da dívida incluída no processo.
Esse percentual é calculado pelo valor dos créditos, e não pelo número de credores.
O documento funcionará como um plano-base.
Ele estabelece as linhas gerais da reestruturação e dá à Braskem mais 90 dias para negociar as condições definitivas.
Ao final desse período, a companhia precisará reunir o apoio de credores que representem mais de 50% dos créditos abrangidos para que as novas condições possam ser estendidas aos demais.
O desenho inicial não contempla haircut — ou seja, não prevê desconto no valor principal da dívida.
Nos primeiros dois anos e meio, a Braskem não pagaria juros nem principal.
Depois desse período, retomaria o pagamento dos juros, enquanto os vencimentos do principal começariam apenas após cinco anos.
Ainda será definido como serão tratados os juros acumulados durante a carência.
O bloco formado por bancos brasileiros e estrangeiros e debenturistas representa quase 28% dos créditos e já assinou o acordo inicial, apurou o Radar Econômico.
Para superar o piso de um terço, a Braskem também conseguiu a adesão de diferentes bondholders, os investidores que possuem os títulos de dívida emitidos no exterior.
Parte deles carrega os papéis desde as emissões originais.
Continua após a publicidade Nos próximos 90 dias, companhia e credores definirão também os covenants, nome dado às metas financeiras e operacionais que a Braskem terá de cumprir durante a recuperação.
O acordo estabelecerá ainda prazos e mecanismos de cura: medidas que poderão ser adotadas para corrigir um eventual descumprimento antes que ele provoque consequências mais graves.
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