Por que o dólar pode pagar o preço por esforço do Tesouro dos EUA para conter juros
O movimento ousado do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para conter uma alta potencialmente prejudicial dos custos de financiamento do governo americano está levando alguns investidores a acreditar que o dólar acabará sendo o principal prejudicado.
Parte do mercado vê a medida como um ponto de inflexão, com Washington assumindo um papel mais ativo para manter sob controle os custos de sua dívida.
Após outras iniciativas recentes para limitar os rendimentos dos títulos de longo prazo, a ação reacendeu preocupações de que a política econômica dos EUA possa enfraquecer a confiança no dólar e estimular investidores a buscar alternativas.
“O dólar certamente é a maior vítima”, afirmou Gerald Gan, diretor de investimentos da gestora multifamiliar Reed Capital, em Singapura.
Segundo ele, Bessent está deliberadamente reduzindo os juros reais de longo prazo e sinalizando tolerância a uma moeda mais fraca para sustentar a economia.
“Eu diversificaria ainda mais para longe do dólar”, acrescentou.
O Tesouro informou na quarta-feira que irá “pelo menos dobrar” as recompras planejadas de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos, após os custos de financiamento dispararem para os níveis mais altos em vários anos.
A decisão transformou Bessent no secretário do Tesouro mais intervencionista em décadas.
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“Ele está, na prática, dizendo que está disposto a sacrificar um pouco da força do dólar para manter os juros de longo prazo sob controle”, disse Andrew Canobi, diretor de renda fixa da Franklin Templeton, em Melbourne.
“Alguma válvula de escape precisa existir.” Segundo Canobi, a alternativa seria enfrentar os problemas estruturais da economia americana, uma tarefa muito mais difícil, deixando aos formuladores de política econômica a escolha entre controlar os rendimentos dos títulos ou aceitar um dólar mais fraco.
Menor atratividade dos ativos em dólar Esforços para reduzir artificialmente os rendimentos dos Treasuries podem diminuir a atratividade dos títulos denominados em dólar frente a ativos de outras regiões.
Além disso, se investidores concluírem que o objetivo é facilitar mais endividamento do governo americano, isso também pode contribuir para desvalorizar a moeda dos EUA.
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