Com o otimismo eleitoral, Tesouro faz maior leilão de prefixados desde 2020
Tesouro aproveita aposta do mercado na melhora fiscal e capta R$ 33,3 bilhões; depois do 1º turno curva de juros registrou forte queda
O Tesouro Nacional captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados nesta 5ª feira (8.out.2026), no maior leilão desse tipo desde dezembro de 2020. A operação ocorreu em meio à queda dos juros futuros após o 1º turno das eleições presidenciais.
O governo ofertou 42 milhões de títulos e vendeu 40,8 milhões. Os papéis prefixados têm uma taxa de rendimento definida no momento da compra, desde que sejam mantidos até o vencimento.
Quando os investidores ficam mais otimistas com a situação fiscal do país, passam a exigir juros menores para emprestar dinheiro ao governo, por meio da compra de títulos públicos. A percepção do mercado de risco diminui e aumenta a disposição para financiar a dívida brasileira.
Com a maior demanda pelos papéis, o Tesouro ganha espaço para captar recursos a custos menores. No caso dos títulos prefixados, a relação entre preço e rendimento é inversa: quanto maior o preço que os investidores pagam pelo título, menor a taxa de retorno até o vencimento.
A intensidade da reação do mercado nesta semana rendeu comparações com o período do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. Na ocasião, os juros futuros recuaram ao longo de cerca de 2 meses, em meio às expectativas de mudança no governo e na condução da política econômica.
Desta vez, um movimento de magnitude semelhante ocorreu em só 1 pregão, refletindo a rapidez com que os investidores ajustaram suas expectativas para os juros diante do cenário eleitoral.
A demanda se concentrou em títulos com prazos menores. Quase 80% das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) ofertadas tinham vencimento em janeiro de 2028 ou julho de 2029. Entre as NTNFs (Notas do Tesouro Nacional – Série F), mais de ⅔ das vendas foram de papéis com vencimento em janeiro de 2031.
A concentração em vencimentos mais curtos ajudou o Tesouro a captar um volume elevado sem pressionar ainda mais os juros futuros. As taxas caíram desde a divulgação dos títulos ofertados até a conclusão do leilão.
O movimento ocorre em meio ao otimismo de investidores com a possibilidade de vitória da oposição na eleição presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para o mercado, Flávio teria um governo mais disciplinado com as contas públicas e menos expansionista que o de Lula – o que levou à queda dos juros futuros.
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