'A Morte de Robin Hood' é monótono, mas leva frescor feminista à lenda
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O princípio de "A Morte de Robin Hood" se enuncia desde o início do filme —esqueça essa história de Robin Hood herói que você escuta desde que nasceu. Ele não passa de um bandoleiro. Com efeito, o que distingue o mocinho do bandido é, em geral, quem ganhou a guerra ou, mais genericamente, quem ficou com o poder.
Portanto, agora Robin Hood, vivido por Hugh Jackman , é bandido e não se fala mais nisso. Está velho e alquebrado. O que se segue nos remete em linha reta a esses filmes de extrema direita sobre bem e mal, vingança e redenção. Mais do que isso, há brutalidade, sangue e mortes aos montes.
Não é apenas Robin Hood o responsável por esse estado de coisas. Segundo o filme, são vinganças que sucedem vinganças, como se estivéssemos na Sicília. Mas não, é a Inglaterra da Idade Média . Estamos em um mundo escuro —na verdade, o filme é escuro—, povoado por bárbaros e barbáries. O tipo de mundo que espera por uma redenção.
O protagonista reencontra seu velho comparsa Little John —ou João Pequeno, como preferia Monteiro Lobato em sua versão da lenda. E Little John , vivido por Bill Skarsgard e malvado como Robin Hood, agora tem mulher e filha. E ambas estão sujeitas às atrocidades de outros homens tão maus quanto eles.
E a redenção, quando virá? Bem, em dado momento, o pobre Robin Hood é perigosamente golpeado. Ele está à beira da morte, e Little John o leva a uma ilha onde, segundo ele, uma mulher com poderes mágicos poderá salvá-lo.
Até agora estivemos submetidos a questões meio óbvias, que ameaçam descambar para a religião, mas não vão até o fim. Daqui por diante, algo muda. Com efeito, Brigid, personagem de Jodie Comer, opera milagres e praticamente ressuscita o velho Robin Hood.
A tradução a chama de prioresa; o original diz que é "sister". Portanto, nos devolve à ideia de um convento ou algo de caráter religioso. Mas Brigid vai nos levar a outras paragens, que permitem ver o filme numa chave feminista.
É verdade que, com isso, o filme permite ao espectador despertar. A luz se infiltra no escuro mundo em que vivem os personagens —e que exige tanto de nossas vistas. E o roteiro de Michael Sarnoski , também diretor, parece que nos levará a outros pontos.
O fato é que, nessa parte do filme, o feminino se impõe. Não pelo poder, mas por um modo de ser. O poder da cura não a torna dominadora. Será que isso redimirá os atos passados de Robin Hood? E o mundo em geral? Não, a julgar pela última cena.
Ainda assim, a última volta do parafuso desse filme traz algo de intrigante a uma trama em que, a princípio, tudo parece óbvio. Seria melhor se Sarnoski conseguisse alternar os tempos —e a iluminação— com mais frequência, de modo a evitar a monotonia que suas imagens transmitem.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.