‘A Morte de Robin Hood’ transforma lenda em homem assombrado pelo passado
A lenda de Robin Hood já foi contada e recontada tantas vezes no cinema que uma nova adaptação poderia facilmente parecer apenas mais uma repetição.
Afinal, o personagem já ganhou versões como a de Kevin Costner em Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (1991), a de Russell Crowe em Robin Hood (2010) e até uma releitura mais recente em formato de série, exibida no Brasil pelo MGM+.
O imaginário do fora da lei que rouba dos ricos para dar aos pobres está tão estabelecido que parece difícil encontrar algo novo nesse mito.
É justamente por isso que A Morte de Robin Hood se torna interessante: em vez de tentar reafirmar a lenda de forma épica, o filme de Michael Sarnoski ( Pig ) decide desconstruí-la em um retrato bastante intimista.
Aqui, Robin Hood não é exatamente o herói que aprendemos a conhecer.
Interpretado por Hugh Jackman ( O Rei do Show ), ele é um homem envelhecido, isolado e consumido pelos fantasmas de uma vida marcada pela violência.
Mais do que isso, é alguém perseguido pelas consequências de seus próprios atos: entre os que o caçam estão familiares de pessoas que ele matou.
Se Robin Hood existiu como um homem de carne e osso, e não apenas como uma figura romantizada, quantas das pessoas que ficaram pelo caminho teriam histórias diferentes para contar sobre ele? Sarnoski parte justamente dessa pergunta para desmontar a imagem do herói benevolente e transformá-lo em algo muito mais desconfortável: um homem tentando conviver com aquilo que fez.
Ter Hugh Jackman no papel é um dos grandes acertos do filme.
É praticamente impossível não lembrar de Logan ao vê-lo como um guerreiro envelhecido, machucado e cansado da própria violência.
As semelhanças, porém, param por aí.
Enquanto o personagem da Marvel carregava a sensação de ser o último sobrevivente de um mundo ao qual já não pertencia, Robin Hood precisa encarar algo ainda mais incômodo: a possibilidade de que ele próprio tenha sido responsável por parte da destruição ao seu redor.
Jackman entende muito bem esse registro e, ao mesmo tempo, consegue se apropriar do filme.
Há uma presença física enorme em cena, mesmo quando o personagem está silencioso ou praticamente imóvel.
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