Pantanal perdeu uma Suíça em área alagada nos últimos 40 anos
A mais nova radiografia do MapBiomas, rede multi-institucional que mapeia a cobertura e o uso do Brasil, divulgada nesta quarta-feira, 12, revela a situação de emergência que o Pantanal enfrenta.
Nos últimos 40 anos, o bioma perdeu o equivalente a uma Suíça em superfícies de água e campos alagados.
A savana alagada — formada por árvores esparsas entre vegetação arbustiva e herbácea nas planícies de inundação e ao longo dos cursos d’água — encolheu 84% .
Sua extensão despencou de 1,1 milhão de hectares para apenas 174 mil.
A dimensão do problema vai além da perda de habitat para uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta.
O Pantanal existe em função do chamado pulso de inundação : a alternância entre períodos de cheia e seca reorganiza nutrientes, alimenta rios, lagoas e áreas úmidas e sustenta cadeias inteiras de animais e plantas.
Quando áreas que permaneciam inundadas ou sazonalmente alagadas passam mais tempo secas, modifica-se a própria engrenagem ecológica do bioma.
A perda de água também deixa a vegetação mais suscetível ao fogo.
E incêndios mais intensos degradam ainda mais a cobertura vegetal e o solo, dificultando a retenção de água e a recuperação do ecossistema.
O risco é a formação de outro círculo vicioso: menos água favorece incêndios; o fogo degrada a vegetação; e a degradação reduz a capacidade da paisagem de enfrentar os períodos secos.
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