Guerra pesa sobre economia do Irã, conforme EUA intensificam sanções
DUBAI/CAIRO, 29 Ago (Reuters) - Os líderes iranianos estão reconhecendo o impacto econômico da guerra com os EUA, com o líder supremo instando o governo a lidar com as dificuldades e o presidente afirmando que o comércio exterior encolheu em um terço devido às sanções e ao bloqueio norte-americano.
No entanto, Teerã não deu sinais de recuo neste sábado, prometendo resistir à pressão dos EUA, buscar a via diplomática e manter o que afirma ser o controle sobre o Estreito de Ormuz, a via navegável estratégica que dá ao Irã poder de influência por meio de sua capacidade de perturbar os mercados globais de energia.
O governo afirmou em comunicado divulgado pela mídia estatal que lidar com as pressões econômicas causadas pelas sanções e pela guerra era uma prioridade central, incluindo conter a inflação, gerenciar os mercados, criar empregos, direcionar investimentos para a produção nacional e reduzir gradualmente a dependência do dólar.
Seis meses após os EUA e Israel terem iniciado a guerra, as negociações estão em um impasse e o governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o que chamou de “Dia D econômico”.
Washington advertiu os países a cortarem laços comerciais com o Irã ou enfrentarem sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado impor penalidades contra os principais parceiros comerciais do Irã, como a China e a Índia, o que poderia ter repercussões para as economias dos EUA e global.
Essa onda de sanções agrava os efeitos da guerra sobre a economia iraniana, onde a inflação anual atingiu 66% no mês passado.
O líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei — que não é visto em público desde que ficou ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro, que matou seu pai e ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei —, exortou o governo a enfrentar as dificuldades econômicas.
“É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de bens e serviços”, afirmou Khamenei, de acordo com uma declaração por escrito atribuída a ele.
O presidente Masoud Pezeshkian disse à mídia estatal que as exportações e importações iranianas caíram quase 35% devido às sanções dos EUA e ao bloqueio naval dos portos iranianos.
Mas ele afirmou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante a breve vigência de um memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irã em junho, quando Washington permitiu as vendas de petróleo iraniano.
Mais tarde, no sábado, Pezeshkian defendeu, em pronunciamento na TV estatal, a retomada do acordo provisório — assinado em 17 de junho, mas que rapidamente fracassou devido a divergências sobre os termos pactuados, especialmente no que diz respeito ao status do Estreito de Ormuz.
“Podemos resolver nossos problemas e recuperar nossos privilégios com o memorando de entendimento”, disse ele sobre o documento, que havia oferecido ao Irã, entre outras coisas, alívio imediato das sanções dos EUA e a liberação de seus ativos congelados.
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