Quando a política adoece o cidadão: ansiedade, apatia e ataques de pânico aumentam durante campanhas eleitorais
Antonio Egídio Nardi é presidente da Academia Nacional de Medicina, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e cientista do Nosso Estado da Faperj, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation , que reúne artigos escritos por pesquisadores.
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As eleições constituem um dos momentos mais importantes da vida democrática.
Entretanto, quando a disputa eleitoral se transforma em um confronto marcado por intensa polarização, hostilidade, desconfiança institucional e incerteza quanto ao futuro, seus efeitos podem ultrapassar o campo político e alcançar diretamente a saúde mental da população.
A expectativa de uma vitória ou derrota eleitoral, particularmente quando os indivíduos atribuem ao resultado consequências decisivas para suas condições de vida, pode desencadear manifestações significativas de ansiedade antecipatória, alterações do humor, apatia e, em indivíduos vulneráveis, ataques de pânico.
Ansiedade antecipatória A ansiedade antecipatória caracteriza-se por um estado persistente de apreensão diante de acontecimentos futuros percebidos como ameaçadores ou imprevisíveis.
Em eleições extremamente disputadas, essa antecipação pode adquirir características de hipervigilância.
Além disso, pode gerar preocupação constante em relação às pesquisas eleitorais, aos debates, às notícias e às possíveis consequências do resultado das urnas.
Continua após a publicidade Sob a perspectiva neurobiológica, esse processo envolve circuitos cerebrais relacionados à detecção de ameaças, à regulação emocional e à avaliação da incerteza.
E esse processo inclui a amígdala, a ínsula , o córtex pré-frontal e estruturas relacionadas à resposta ao estresse.
A ativação persistente desses sistemas pode contribuir para alterações autonômicas e neuroendócrinas , particularmente envolvendo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal .
Embora essas respostas sejam inicialmente adaptativas, sua manutenção prolongada pode comprometer o equilíbrio emocional e o funcionamento cotidiano.
Continua após a publicidade A expectativa ansiosa prolongada não se limita a sentimentos subjetivos de preocupação.
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